Selo de indicação geográfica é opção para beneficiar pequenos negócios

Selo de indicação geográfica é opção para beneficiar pequenos negócios

Sebrae Nacional desenvolve estratégia para disseminar a importância de ter esse registro no INPI entre essas empresas, de modo a permitir acesso a novos mercados, inclusive internacional

Fernanda Bompan

São Paulo – O Sebrae Nacional prepara uma estratégia que visa disseminar a importância do selo de indicação geográfica para o acesso de novos mercados pelos pequenos negócios brasileiros, e, assim, garantir a subsistência dos responsáveis por 52% da criação de empregos.

“As indicações geográficas reúnem, predominantemente, pequenos produtores rurais, microempresas e empresas de pequeno porte que se dedicam a produzir em pequena escala produtos diferenciados, com qualidade superior, vinculada às condições naturais de uma área específica demarcada e baseados em conhecimentos tradicionais. O selo é um diferencial de mercado”, explica o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Um dos exemplos mais famosos do Brasil é o Vale dos Vinhedos, que é a única indicação geográfica brasileira registrada na União Europeia. De acordo com o diretor técnico da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), Márcio Brandelli, desde que os produtores da região conquistaram o selo de denominação de origem, em 2009 – uma das modalidades da indicação geográfica, além da chamada Indicação de Procedência, que o “Vale” também já possuía desde 2001- os vinhos passaram a competir com a bebida feita na Argentina e no Chile.

Retorno

“Hoje podemos vender um vinho com mais qualidade e com garantia reconhecida nacional e até internacionalmente. Nossos vinhos chegam a custar até R$ 100 [pela qualidade], o que acontecia raramente. Há mais casos de brasileiros que preferem os vinhos com uva Merlot feitas aqui do que do Chile ou da Argentina, antes mais famosos. Há uma década, nem imaginávamos que pudéssemos ter esse reconhecimento garantido pelo selo”, revela Brandelli, que também é sócio proprietário da Vinícola Almaúnica.

Ele afirmou que a produção dos vinhos tintos subiram 30% nesses últimos cinco anos. E que no caso dos vinhos brancos, o crescimento é de 10% ao ano. Dos 33 associados ao Aprovale, segundo Brandelli, dois são grandes vinícolas, quatro são de médio porte e o restante (27) são formados por pequenos negócios. “Acredito que a maior vantagem desse selo é para o pequeno produtor. Ele ganha exposição sem gerar custos disso”, entende.

Outro exemplo de lugares registrados com indicação geográfica é Franca, no interior paulista e que fabrica calçados. Todo ano é realizada a feira Francal, com produtos da região e que mostram as tendências de moda no setor. Na edição deste ano, que ocorreu em julho, 20% dos 800 expositores foram de pequeno porte. De acordo com assessoria de imprensa do evento, historicamente, os contatos feitos na feira rendem de três a quatro meses de produção para os expositores e até nove meses de vendas no varejo.

Para o presidente do Sebrae, por causa da biodiversidade e riqueza cultural, os pequenos negócios têm grande potencial para indicações geográficas de produtos do agronegócio e artesanato. Atualmente, existem 41 indicações registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

A maioria dessas indicações geográficas é referente a produtos alimentícios (24 no total), o restante artesanato ou produtos extrativistas. O Brasil possui um único exemplo que é de serviços. Em Pernambuco, os serviços de TI do Porto Digital tem registro de Indicação de Procedência.

Desafios

Durante seminário sobre o tema feito recentemente, cujas discussões serviram de subsídio para a estratégia a ser lançada pelo Sebrae, a coordenadora do projeto Indicação Geográfica da instituição, Hulda Giesbrecht, afirmou que o grande desafio para os pequenos negócios que estão em regiões que têm o selo de origem concedido pelo INPI é saber comunicar melhor as vantagens de um produto com registro. “O produtor de uma indicação tem uma história para contar quando oferece o produto e nosso trabalho é ajudá-lo a contar essa história”, disse a coordenadora

“O importante é fazer com que eles sejam usados ou consumidos por quem de fato os valoriza, como chefs de cozinha, no caso da gastronomia”, explicou Germana Magalhães da área de Serviços do Sebrae.

Fonte: DCI – SP
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