Simplificação dos processos e a criação do Simples Internacional podem elevar partic ipação de PMEs nas vendas externas

Apesar de enfrentar dificuldades como a variação da política econômica e o câmbio desfavorável, o empresário Paulo Marcos Paiva, da Reivax, fabricante de equipamentos para geração de energia, continua apostando no mercado externo. Com 170 funcionários e faturamento anual de R$ 48 milhões, a empresa catarinense obtém 40% da receita com as exportações.

As entregas internacionais começaram em 1990, na Argentina, e hoje seguem para todas as Américas, menos Venezuela, além de Malásia, Cingapura, França e Angola. “Em 2014, vamos exportar US$ 9 milhões, 10% a mais do que em 2013”, conta Paiva. No fim do ano passado, a companhia abriu uma subsidiária na Suíça, parte do plano de ampliação para novos mercados, principalmente Ásia, Europa e África.

A Reivax faz parte da magra lista de companhias de porte reduzido que não tiram o pé do acelerador quando o alvo é a exportação. “Já temos participação no mercado interno e precisamos ganhar clientes no resto do mundo”, justifica Paiva. Atualmente, as empresas menores respondem por apenas 1% das exportações brasileiras, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “Essa parcela é bem pequena mas, nos últimos anos, houve um incremento nas exportações dos pequenos negócios”, diz o presidente da entidade, Luiz Barretto.

De 2002 a 2012, o valor médio exportado por micro e pequenas companhias quase dobrou, passando de US$ 100 mil para US$ 193 mil. Em 2013, as exportações chegaram a US$ 242,2 bilhões e as pequenas empresas foram responsáveis por US$ 1,7 bilhão do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em 2014, as previsões não são otimistas: a expectativa é de manutenção dos mesmos resultados dos últimos três anos. “O cenário internacional apresenta um quadro de recuperação lenta, com tendência de desaceleração da economia chinesa”, diz Barretto. “Além disso, o mercado interno ainda é favorável ao pequeno negócio, que, muitas vezes, foca mais no consumidor local.”

Para mudar esse quadro, especialistas acreditam que a estratégia é preparar melhor os empresários para a expansão em dólares e dinamizar as políticas governamentais de incentivo à exportação. “Espera-se um crescimento da participação das empresas nas vendas externas com a simplificação dos processos de exportação e a criação do Simples Internacional”, diz Carlos Leony Fonseca da Cunha, secretário de competitividade e gestão da Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE), do governo federal. Um dos objetivos do novo regime, ainda sem data para entrar em vigor, é reduzir o custo de transporte, facilitando a entrada de operadores logísticos que atendam os negócios de tamanho reduzido.

“A complexidade burocrática é uma das principais dificuldades com que as pequenas empresas se deparam na exportação”, diz Cunha. “Há uma enorme quantidade de atos legais que regem o comércio exterior e que sofre modificações diárias. Como, geralmente, as microempresas são de natureza familiar, o empresário é responsável por funções diversas, como produção, administração de pessoal, vendas e finanças. Assim, a sua disponibilidade para obter informações sobre as oportunidades nos mercados externos é mínima.”

Em 2012, o setor de serviços respondeu por 10,4% do valor das exportações brasileiras. Segundo o Sebrae, entre as 49,5 mil empresas que exportaram serviços no ano passado – os resultados de 2013 ainda estão em análise – os pequenos negócios responderam por 72% do total. Os três maiores setores exportadores de serviços, entre os pequenos negócios são: comércio por atacado, com 20,6% de participação; atividades de consultoria em gestão empresarial (9,6%) e apoio administrativo (7,1%). “Os principais destinos dos serviços são os EUA, a Alemanha e o Reino Unido”, diz Barretto. “Mas os países do Mercosul continuam acenando com oportunidades, por conta de acordos comerciais, da proximidade geográfica e de semelhanças culturais no bloco.” O Sebrae também identificou que as regiões do Caribe e a Ásia surgem como novos destinos para os empreendedores.

Já no principal grupo de produtos exportados pelas empresas de faturamento mais modesto, segundo o MDIC, está o de máquinas e equipamentos mecânicos. Em 2012, 2,4 mil estabelecimentos exportaram o equivalente a US$ 266,1 milhões, 14,9% do total das vendas externas realizadas pelas empresas menores. Em seguida, estão madeira e obras (total de US$ 137,6 milhões, com participação de 7,7% do total), pedras preciosas e artigos de joalheria (US$ 89,9 milhões, 5,0%) e máquinas e equipamentos elétricos (US$ 88,3 milhões, 4,9%).

Para acessar os mercados externos, os empresários precisam incorporar uma cultura de negócios além-fronteiras, afirma Barretto. “A participação em transações internacionais, além de representar uma possibilidade de diversificar receitas e aumentar as margens de lucro, é uma condição imediata para a qualificação e a especialização”, explica. “Mesmo que a empresa não tenha interesse em entrar em outros mercados, é fundamental que esteja preparada para a competição que chega de outros países.”

Neste primeiro semestre, a desburocratização do comércio exterior deu um passo importante com o lançamento do portal Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). O site pretende simplificar o acesso a serviços e à legislação, com a meta de reduzir o tempo das transações. “Uma exportação de bem conteinerizado no Brasil leva, em média, 13 dias para ser concluída. Espera-se que, em 2016, esse prazo seja reduzido para oito dias”, diz Barretto.

De acordo com Paulo Feldmann, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e assessor da presidência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio), os empresários também não podem esquecer o fator “preço” nas operações internacionais.

(Fonte: Valor Econômico)

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