Impostos e capital são os principais problemas do empreendedor no Brasil, revela pesquisa inédita

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Impostos e capital são os principais problemas do empreendedor no Brasil, revela pesquisa inédita
Estudo realizado pela Endeavor tocado em parceria com Sebrae-SP enumera as queixas dos pequenos empresários

Felipe Rau/EstadãoGisele Tamamar e Rodrigo Rezende, Estadão PME
Ninguém pelo mundo, em sã consciência, crê em facilidades no instante em que se define por abrir, consolidar e começar a ganhar dinheiro com uma empresa. Mas quando se fala de mercado brasileiro, pelo menos três fatores externos são apontados como fundamentais para o sucesso ou o fracasso da jornada: alta carga tributária, acesso restrito aos recursos financeiros e um ritmo deficitário de formação de mão de obra.

Essa, pelo menos, é a conclusão de um estudo inédito realizado pela Endeavor Brasil, em parceria com o Sebrae-SP. As duas instituições dedicadas ao fomento do empreendedorismo ouviram, entre novembro e dezembro de 2013, 1.282 pequenos empresários estabelecidos na cidade de São Paulo.

Quase três em cada dez entrevistados, exatos 28% dos empresários, relatam o volume de impostos e a complexidade contábil como sendo o maior obstáculo ao sucesso no Brasil. A captação de dinheiro é a segunda queixa mais recorrente, sendo que 24% deles reclamam da dificuldade em obter investimentos ou financiamentos e 15% relatam as aflições para garantir o fluxo de caixa ou o capital de giro. A falta de profissionais capacitados aparece em quarto lugar.

Para quem está habituado com o universo dos pequenos empreendimentos, esses resultados não chegam a surpreender. Contudo, para o diretor geral da Endeavor, Juliano Seabra, um ponto chama a atenção. A burocracia para abrir e fechar uma empresa, geralmente evocada como empecilho ao empreendedorismo nacional, não teve destaque no estudo, surgindo em apenas 3% das queixas. “Não estou dizendo que isso não é um problema, mas o empreendedor está apontando outros pontos que estão atrapalhando um pouco mais. Derrubar esse mito é relevante já que, no fundo, toda ação pública acaba sendo pautada por isso”, diz.

De volta ao universo das campeãs em críticas, o fundador da Agência B2, Ricardo Buckup, é um exemplo de como a questão tributária impacta em um pequeno e médio negócio. Especializado em promoções e eventos, ele geralmente recorre a fornecedores para conseguir dar conta de todo o trabalho encomendado. O problema é que, em alguns casos, tanto ele quanto os parceiros pagam os mesmos impostos sobre um mesmo serviço, um problema chamado de bitributação e que, no caso do empresário, chega a comer até 25% de seu orçamento para o projeto.

A solução de Buckup foi contratar especialistas e desenhar uma estratégia, espécie de contabilidade criativa. Mas o expediente, apesar de respaldado juridicamente, ainda enfrenta resistência de determinados clientes. “Sou bastante otimista. Acredito que vamos caminhando a passos lentos para uma reforma da questão tributária, mas não sei quando isso vai acontecer”, afirma Buckup

Já o italiano Eduardo Tonolli, dono de oito gelaterias em São Paulo, apontou a falta de mão de obra para manter a operação, que em seu caso mira os consumidores das classes A e B. Ele também se diz insatisfeito com a burocracia brasileira de forma geral desde que abriu a primeira unidade de sua Bacio di Latte há três anos. “Uma coisa que demora apenas um dia na Europa, aqui no Brasil pode demorar semanas”, afirma.

Gestão. Sobre as questões relativas a acesso de capital, o especialista em empreendedorismo da FGV-SP, Marcelo Aidar, afirma que, às vezes, as pessoas exageram na importância do crédito, como se ele fosse fazer milagre. “O empreendedor pode estar querendo crédito para cobrir ineficiências no negócio. Muito recurso atrapalha assim como muito pouco também.”

ENTREVISTA: Wilson Poit, diretor da SP Negócios, autarquia municipal criada para estimular investimentos em São Paulo

O engenheiro elétrico Wilson Poit criou a Poit Energia quando enxergou uma oportunidade de não só alugar geradores, mas agregar serviços, como apoio profissional e locação de outros equipamentos. A empresa foi criada em 1999 e vendida em 2012 por R$ 400 milhões. Desde 2013, ele passou para o lado político.

Existem soluções para os problemas enfrentados pelo empreendedor?
Existe e estamos focados nisto. Nunca se falou e se trabalhou tanto para criar um ambiente propício para a criação e desenvolvimento de novos negócios.

Qual o papel da SP Negócios?
É promover o desenvolvimento da cidade por meio da estruturação de parcerias público-privadas (PPP), recepção de investidores e melhora do ambiente de negócios, reduzindo prazo de abertura de uma empresa.

O que o levou a vender sua empresa e se envolver com a SP Negócios?
Acredito que todo negócio tem hora certa de entrar e de sair. Agora, quero responder para mim mesmo aquela famosa questão: o preço que os empreendedores pagam por nunca se interessarem por política e só criticarem, é que serão sempre governados pelos que se interessam?

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