Usinas enfrentam crise abandonando o açúcar para vender terrenos

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Pelo menos três usinas na Mata Sul e duas na Mata Norte passaram a atuar na área imobiliária, principalmente nos últimos cinco anos, devido ao desenvolvimento dos polos industriais de Suape e Goiana. Os acionistas da Usina Maravilhas – que fazem açúcar e álcool há pelo menos quatro gerações – transformaram uma parte do seu negócio na Maravilhas Empreendimentos Imobiliários, em Goiana. A valorização das terras daquele município da Mata Norte ocorre num período em que a crise, mais uma vez, bateu à porta do setor sucroalcooleiro com o preço do álcool perdendo a sua competitividade, quando comparado com a gasolina.

O que motivou a entrada da usina no setor imobiliário foi um estudo feito por uma consultoria indicando a futura viabilidade da venda de 3 mil hectares – que faziam parte do canavial da antiga Usina Maravilhas – numa ocupação a ser realizada entre 15 e 20 anos, período em que a área deve receber indústrias, empresas de logística, moradias, empreendimentos de lazer e serviços.

“A lógica econômica nos fez optar por um rendimento que é maior. Não faz sentido ter um produto agrícola e não aproveitar essa oportunidade”, resume o consultor da TIR Finance, Matheus Queiroz, falando pelos acionistas da Usina Maravilhas, com sede em Goiana, na Mata Norte. A oportunidade foi a expansão e valorização das terras próximas à fábrica da montadora da Fiat, também em Goiana. “A nossa maior referência é Betim, em Minas Gerais. Lá, a cidade tinha 30 mil habitantes antes da chegada da multinacional. Hoje, são 360 mil habitantes”, afirma. Antes de receber a fábrica da Fiat na década de 70, a cidade mineira estava numa área predominantemente rural, como é Goiana atualmente. Para a empresa, a vantagem econômica é grande. A área cultivada com cana-de-açúcar se mede em hectare, enquanto as terras comercializadas para empreendimentos urbanos são vendidas em metro quadrado.

A produção de cana-de-açúcar na Mata Norte também tem outra adversidade constante: as estiagens mais frequentes e intensas. A última moagem da Maravilhas foi em 1998, quando a região passou por uma seca muito forte. Depois disso, a cana-de-açúcar da Maravilhas passou a ser processada na Usina Cruangi, de Timbaúba, que pertence ao mesmo grupo.

Em 2010, ocorreu uma cisão entre os acionistas e a gestão da Maravilhas ficou com os irmãos Fernando Queiroz Filho e Dulce Gueiros, enquanto a administração da Cruangi passou a ser feita por Cândido Rios e Maria da Conceição Rios. Ambas as empresas têm os mesmos proprietários.
A primeira venda das terras das Maravilhas para uso industrial ocorreu em 2006, quando a empresa cedeu 340 hectares de terras em Goiana para a implantação da fábrica da Hemobrás, empresa do governo federal. Na época, a usina tinha 18 mil hectares. “Em 2009, o Grupo Brennand fez um acordo com o Estado, ficando com 52 hectares para instalar a fábrica de vidros”, conta Matheus. E lembra: “Em junho de 2011, alguns representantes do Estado nos procuraram para implantar um grande projeto na Mata Norte”. Era a fábrica da Fiat.
“Se não fosse a Fiat, essa futura ocupação poderia levar de 40 a 50 anos”, revela. A expectativa dos acionistas é que cerca de 9 mil hectares da Maravilhas continuem sendo cultivados com cana-de-açúcar. Aproximadamente 5 mil hectares foram trocados por débitos da empresa com os governos federal e estadual. Até 1984, a Usina Maravilhas pertenceu à família Lundgren, quando foi comprada pela Usina Cruangi administrada pela família Queiroz, a qual está no setor sucroalcooleiro desde 1921, quando o bisavô de Matheus, Júlio Queiroz adquiriu a Usina Cruangi.

JC ONLINE

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