Indústria e agronegócio puxam expansão no NE

Mesmo com o impulso do consumo perdendo fôlego, o Nordeste é a região brasileira que apresenta maior potencial de crescimento em 2014, diante da perspectiva de recuperação do agronegócio e da indústria local no período. Essa é a conclusão de estudo realizado pela Tendências Consultoria, que mostra que o ciclo de expansão acima da média nacional no Nordeste se estenderá ao menos até 2018, com os investimentos previstos para a região – mais de R$ 160 bilhões até 2020 – compensando a desaceleração nos gastos das famílias. Como resultado desse processo, há a expectativa que, a partir de agora, a participação do Nordeste na economia nacional, estacionada em 13,8% desde 2010, comece a avançar, chegando a 14,5% em 2018.

Enquanto isso, as regiões Sul e Sudeste, afetadas pelo baixo dinamismo da indústria, contribuirão cada vez menos para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). As duas regiões, que respondem por 70,7% de toda a riqueza produzida pelo país, devem ter participação reduzida a 69,4% em 2018, mesmo concentrando metade de todos os investimentos já anunciados para os próximos seis anos. Segundo o levantamento da Tendências, estão previstos R$ 558,2 bilhões em investimentos no país até 2020. Desse total, R$ 252,4 bilhões têm como destino o Sudeste e R$ 26,9 bilhões vão para a região Sul.

Ainda assim, a expectativa é que o Sudeste e o Sul cresçam a uma média anual de 2,5% e 2,1%, respectivamente, entre 2014 e 2018, abaixo do aumento médio projetado para o PIB no período, de 2,7% ao ano. Já o Nordeste, segundo principal destino dos investimentos até 2020, com R$ 163,7 bilhões, teria ímpeto para avançar num ritmo médio anual de 3,6%.
“O Nordeste deve passar por uma mudança estrutural nos próximos anos, que permitirá à região crescer com as próprias pernas, sem ficar tão dependente do governo”, diz Camila Saito, economista da Tendências, lembrando que os planos para a região envolvem a construção de novas fábricas de automóveis, o desenvolvimento de usinas eólicas e da ferrovia Transnordestina, além de refinarias de petróleo e de projetos de celulose.

Em 2014, já há a expectativa de que o comportamento econômico da região se descole da média nacional. Os cálculos da Tendências mostram que o Nordeste deve acelerar seu crescimento, indo em sentido contrário à perspectiva para o PIB nacional. Enquanto as estimativas mostram que a expansão do Nordeste passará de 2,7% em 2013 para 3,2% em 2014, para o PIB nacional os números apontam perda de ritmo, de 2,2% em 2013 para 2,1% neste ano. Os economistas consultados pelo Banco Central para o boletim Focus também esperam desaceleração no crescimento da economia brasileira, que passaria de 2,3% em 2013 para 1,9% em 2014.

O que permitiria ao Nordeste andar na contramão da economia nacional em 2014, segundo o estudo, seria a recuperação da agropecuária, bastante afetada pela estiagem em meses passados, e o desempenho positivo esperado para a indústria local. “O agronegócio no Nordeste tem potencial para se desenvolver tanto quanto no Centro-Oeste”, afirma Camila. A expectativa, segundo a economista, é de crescimento de 9,8% na agropecuária nordestina neste ano, depois do modesto crescimento de 2,5% estimado em 2013. A volta da regularidade nas chuvas permitiria aumento de 39,8% na safra de soja, 39,5% na de algodão e 25% na de milho em 2014,

Além disso, a entrada em operação da fábrica de celulose da Suzano no Maranhão promete dar fôlego extra à indústria do Nordeste, que seria impulsionada também pelos setores de veículos, máquinas e equipamentos. Com isso, a expectativa é que a indústria local cresça 3,5% em 2014, superando a alta projetada de 2,6% para a indústria nacional.

Diferentemente do que se viu em anos anteriores, o consumo passaria a ter papel coadjuvante no desempenho econômico da região, mesmo crescendo acima da média do país. A expectativa é de avanço de 3,4% nas vendas do comércio nordestino em 2014, enquanto a expansão média nacional seria de 2,9%. A taxa prevista para 2014, entretanto, equivale a pouco mais de um terço da expansão média anual de 9,1% verificada entre 2006 e 2012.

Essa desaceleração seria reflexo não só da piora na confiança de consumidores e empresários, em resposta ao fraco desempenho da economia brasileira nos últimos meses, mas também do crescimento mais modesto da massa de rendimentos. No Nordeste, a expectativa é de aumento de 4,1% na renda familiar em 2014, pouco além da metade do reajuste médio anual de 7,8% entre 2006 e 2012. “O impacto do Bolsa Família no consumo tende a ser praticamente nulo daqui para frente, porque o movimento de inclusão já aconteceu e o acréscimo de beneficiários será apenas marginal”, diz Camila.

Além disso, o aumento dos juros e a inflação persistentemente elevada, diz Marianne Hanson, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), tendem a inibir os gastos das famílias na região. Dados da entidade mostram que o perfil de dívida dos nordestinos, baseado no cartão de crédito e em carnês de lojas, é o mais influenciado pelo encarecimento do crédito.

“O alto custo dos financiamentos e o elevado comprometimento de renda vão limitar as compras”, diz Marianne. Em 2013, os nordestinos comprometeram 33,8% da renda com dívidas, acima da média nacional, de 30,2%, de acordo com a CNC.

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