Cristalina abriga e explora uma pedra de quartzo exclusiva no mundo

Exposto acidentalmente à radiação gama de cobalto-60, o cristal aparentemente igual a qualquer outro ganhou uma exclusiva tonalidade verde-amarelada

Silvio Ribas – Enviado Especial

Patenteado em 1997, o green gold é resultado da exposição do cristal à radioatividade gama do cobalto-60  (Eduardo Fernandes/Divulgação)
Patenteado em 1997, o green gold é resultado da exposição do cristal à radioatividade gama do cobalto-60
Cristalina (GO) — A explosão de um vulcão ocorrida há milhões de anos em Cristalina presenteou a cidade goiana com uma fonte volumosa e variada de cristais, conhecidos mundialmente pela predominância de suas seis faces características, e de areias ricas em silício puro. Como se não bastasse tudo isso, uma reserva de quartzo transparente localizada em uma longa fenda de extração dentro de uma mina a céu aberto da cidade se tornaria fonte para uma pedra única.
Exposto acidentalmente à radiação gama de cobalto-60, técnica usada para desinfetar frutas frescas para a exportação, o cristal aparentemente igual a qualquer outro ganhou uma exclusiva tonalidade verde-amarelada. Patenteada pelo empresário Eduardo Fernandes, da mineradora Areal Minas Goiás (AMG), como green gold (ouro verde, em inglês), o mineral modificado virou objeto de cobiça internacional, sobretudo de norte-americanos, chineses e indianos.

“Esse cristal verde-amarelado ou amarelo-esverdeado se mantém a aparência constante, independentemente da luz incidente. Em razão das cores que carrega, gosto de chamá-lo de a pedra do Brasil”, conta orgulhoso Fernandes, conhecido em Cristalina como Duda, um misto de empreendedor e cientista. Ele lembra que o nome veio, em 1997, da reação espontânea de um especialista logo após ser apresentado a uma coleção do material, exposta pela AMG numa feira internacional de minerais em Tucson, Arizona (EUA). O empresário denuncia o uso ilegal de sua marca e tentativas fracassadas de reproduzi-la.

'Esse vale é o Oriente Médio do século 21', profetiza o empresário que tem a patente de pedra exclusiva (Breno Fortes/CB/D.A Press)
“Esse vale é o Oriente Médio do século 21”, profetiza o empresário que tem a patente de pedra exclusiva
Apesar de todo o entusiasmo com uma descoberta que hoje lhe proporciona uma coleção variada de joias e objetos de decoração antes mesmo da frase this is a green gold (isso é um ouro verde), Duda vê um futuro ainda mais promissor em sua atividade com o uso de silício para placas de geração fotovoltaica. “Esse vale é o Oriente Médio do século 21”, profetiza.
Cristalina (GO) — Conhecida pela abundância e pela variedade dos cristais que brotam com facilidade do chão, Cristalina (GO), a 130km de Brasília e dona da maior economia agrícola do Brasil, esconde uma riqueza potencialmente ainda maior. Bilhões de toneladas de silício com o mais elevado índice de pureza do mundo — acima de 99,99% — poderiam servir de base para o surgimento de um importante parque industrial de alta tecnologia, com impactos na balança comercial e no desenvolvimento do país.Matéria-prima é  exportada em estado bruto para outros países (Breno Fortes/CB/DA Press)

A matéria-prima essencial para a fabricação de componentes de celulares, computadores, lâmpadas especiais e, sobretudo, painéis solares de geração elétrica continua, contudo, sendo subaproveitada ou exportada em estado bruto para outros países, principalmente a China. Mas empresários e líderes locais da cidade goiana, além de técnicos do governo, começam a buscar formas de viabilizar o sonho do Vale do Silício brasileiro, soterrado pela burocracia e pela falta de visão estratégica.

Os cristais (quartzo) encontrados em Cristalina são considerados de altíssima qualidade, mas o agronegócio e a extração de areia levaram à paralisação e até mesmo ao fechamento das minas. “Só a areia destinada à construção civil poderia ser vendida 10 vezes mais caro. Uma fábrica de painéis de células fotovoltaicas poderia viabilizar a energia solar no Brasil e ainda sanar a grave escassez elétrica da própria cidade”, destaca Gustavo Rocha, geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e um dos maiores especialistas em silício no país.
Fonte: CORREIO BRAZILIENSE
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