Em meio ao crescimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) identificou uma oportunidade de alavancar presença no Estado e gerar negócios. Em parceria com a francesa Veolia Environment e a construtora PB Engenharia, a Cagece criou uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) chamada Utilitas Pecém. O objetivo é fornecer serviços de utilidades industriais ao Cipp em toda a cadeia de saneamento (resíduos sólidos, água, drenagem e esgoto).

A expectativa, segundo o plano de negócios da SPE, que foi fundada em dezembro, é investir pelo menos R$ 2,3 bilhões até 2026. A Utilitas busca assinar contrato com a Petrobras, que irá erguer no Cipp a Refinaria Premium II, com a Eneva (ex- MPX), com duas termelétricas no local, e com a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP).

André Facó, presidente da Cagece, afirmou que a SPE tem um termo de entendimento de estudos para uma possível prestação de serviços para a refinaria da Petrobras, além em conversas em curso com a Eneva e com a CSP. Facó destacou que a criação de SPE no mercado de água e esgoto ainda não é tão explorada.

Os investimentos serão aportados sempre pelas duas empresas privadas, explicou Facó. Virão, segundo ele, de financiamentos e do caixa próprio. “Estamos avaliando ainda quais os agentes financeiros que podem nos fazer empréstimos”, afirmou. A Cagece é minoritária na SPE, com 15% de participação. A Veolia tem 43,35% e a PB Engenharia os outros 41,65%.

Para criar a SPE, a Cagece mudou o estatuto e ampliou o escopo de atuação. Antes fornecia serviços básicos de água e tratamento de esgoto. Em maio de 2013, passou a atuar em toda cadeia produtiva do saneamento. Está presente em 150 municípios. Destes, 263 têm sistema de abastecimento de água e 72 cidades, esgoto sanitário. A cobertura de abastecimento de água atinge 97,88% no estado, com 5 milhões de cearenses com acesso à água tratada. Já o esgotamento sanitário chega a 38,12%, 2 milhões pessoas atendidas. No ano passado, faturou R$ 845,16 milhões, crescimento de 13% frente a 2012.

Fonte: Valor Econômico/Marta Nogueira | do Rio

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