Consórcio de estatais com chineses venceu leilão realizado nesta sexta.

Segundo empresa, capital chinês deverá entrar com 10% do financiamento.

Darlan Alvarenga – Do G1, em São Paulo

Consórcio de chineses e Eletrobrás vence leilão de linha de Belo Monte (Foto: Editoria de Arte/G1)

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, afirmou nesta sexta-feira (7) que grande parte da obra da construção da linha de transmissão que irá escoar a energia produzida pela hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, para a região Sudeste, deverá ser financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Eu diria que a maior parte vai ser o financiamento com o BNDES”, disse o executivo. “Entre 50% e 55%”, explicou o porta-voz do consórcio vencedor do leilão desta sexta.

O consórcio IE Belo Monte, formado por State Grid Brazil Holding S.A. (51%), além de Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A.  e Eletronorte (24,5% cada uma), foi o vencedor do leilão com uma proposta de remuneração anual de R$ 434.647.038 – valor 38% menor que o teto fixado pelo governo.

Furnas e Eletronorte são empresas subsidiárias da Eletrobras, estatal brasileira do setor elétrico. Já a State Grid é uma estatal chinesa, que está no Brasil desde 2010, quando adquiriu sete companhias nacionais de transmissão de energia

Carvalho Neto disse que o consórcio avalia ainda outras modalidades de financiamento, como a emissão de debêntures, e que a parceira State Grid deverá entrar com 10% de financiamento de capital chinês.

Ele explicou que a proposta agressiva feita pela empresa – com deságio bem maior que o das concorrentes – foi possível mediante acordos prévios com construtoras e fornecedores, que permitiram ao consórcio orçar a obra por um preço abaixo dos R$ 5,1 bilhões previstos pela  Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A parceira no fornecimento de equipamentos para subestações, segundo Carvalho Neto, será a Siemens, que fechou com o consórcio contrato de cerca de R$ 2 bilhões.

O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto (à direita), e José Carlos Miranda Farias, da EPE, falam à imprensa após o leilão (Foto: Darlan Alvarenga/G1)O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho
Neto (à direita), e José Carlos Miranda Farias, da
EPE, falam à imprensa após o leilão
(Foto: Darlan Alvarenga/G1)

O executivo informou ainda que, pela negociação feita com os fornecedores, todos os equipamentos necessários com fabricação no Brasil serão comprados da indústria brasileira. “E aqueles que ainda não são, vão ter mais de 60% de grau de nacionalização”, disse.

Segundo a Eletrobras, a prioridade agora será avançar com as licenças ambientais. O consórcio disse que acredita que será possível entregar a obra antes do prazo contratual de 46 meses.

O presidente da estatal destacou a experiência do parceiro chinês na nova tecnologia que será adotada no projeto. Essa vai ser a primeira linha de transmissão do país com tensão de 800 kv, que permite menor perda de energia durante o transporte.

“A State Grid é hoje em ativos a maior empresa de energia elétrica do mundo. Tem uma experiência muito grande já em sistemas de extra e alta tensão em corrente contínua em 800 kv”, disse Carvalho Neto.

O presidente destacou também o salto tecnológico que a construção da nova linha representará para o país.

“A performance desta linha de transmissão será ainda superior à excelente performance que nós temos na operação da linha de Itaipu, que é operada por Furnas”, disse.

Segundo o executivo, o centro de pesquisa da Eletrobras passará a testar equipamentos em correntes alternadas e contínuas mais elevadas, de até 1100 kv.

“No hemisfério sul, na América Latina, é o único laboratório que vai ter essa condição. E fora disso, talvez só na China”, disse. ““Isso põe o Brasil numa posição de vanguarda. Uma fronteira do conhecimento em tecnologia da energia elétrica no mundo”, completou.

s

No final do mês passado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que as condições de financiamento para a linha de transmissão de Belo Monte também serão mais favoráveis do que aquelas oferecidas em leilões anteriores.

A linha
A linha de 2,1 mil quilômetros de extensão terá capacidade para transmitir 4 mil megawatts (MW) de energia, ligando as subestações de Xingu (PA) e Estreito (MG), passando pelos estados do Pará, onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, Tocantins, Goiás e Minas Gerais.

A energia será entregue na subestação de Xingu pela concessionária da usina, e então transportada até Estreito pela obra leiloada nesta sexta. A partir desse ponto, a energia será distribuída por outras linhas para os estados da região Sudeste.

Grupo apresentou proposta de remuneração 38% menor que o teto (Foto: Darlan Alvarenga/G1)Grupo apresentou proposta de remuneração 38%
menor que o teto (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

Essa vai ser a primeira linha de transmissão do país com tensão de 800 kv, que permite menor perda de energia durante o transporte.

Os mais de R$ 5 bilhões em investimentos previstos incluem a compra e instalação de 28 transformadores, cada um com 450 toneladas, 25 mil quilômetros de fios e 4,5 mil torres que sustentam os cabos. De acordo com a Aneel, a obra deve gerar 12,5 mil empregos diretos.

A hidrelétrica de Belo Monte deve entrar em operação em fevereiro de 2015 – previsão do consórcio Norte Energia, responsável pelo empreendimento. A conclusão das obras, porém, é prevista para janeiro de 2019. Com investimento estimado em R$ 28,9 bilhões, a usina terá potência de 11.233 MW e deve gerar 4.571 MW médios.

Essas medidas de potência significam que, em condições perfeitas (excelente nível de água na hidrelétrica e nenhuma perda física ou mecânica no processo), podem sair das turbinas de Belo Monte até 11.233 MW – uma geração permanente, sem um período definido. Mas como no ano todo, por causa de períodos de seca, principalmente, a situação ideal não é alcançada, a usina deve produzir, em média, 4.571 MW.

Anúncios