Símbolo da campanha da primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o estaleiro Brasfels (antigo Verolme), em Angra dos Reis (RJ), prepara-se para um novo salto em capacidade de produção, impulsionado pelas encomendas de sondas de perfuração da Sete Brasil. Controlado pelo grupo Keppel Fels, de Cingapura, o estaleiro finaliza as obras de um novo pórtico, com duas mil toneladas, que vai mais do que triplicar a capacidade de içamento de suas instalações. Além disso, arrendou um estaleiro localizado ao lado para expandir suas operações.

Ainda com o nome de Verolme, o estaleiro foi cenário do primeiro programa eleitoral de Lula, que criticava a compra de plataformas da Petrobras no exterior. Na época, estava de portões fechados por falta de encomendas. Seus trabalhadores buscavam empregos alternativos em outros setores da economia.

Reconhecido atualmente como um dos mais eficientes construtores navais do Brasil, o Brasfels recebeu na última terça-feira o casco da sonda de perfuração Urca, contratada pela Sete Brasil, que foi construída na sede asiática. O projeto faz parte de uma encomenda de seis unidades, que prestarão serviços à Petrobras, para a exploração de reservas do pré-sal. No Brasil, está sendo construído o convés da plataforma, que será integrado ao casco importado.

“O novo pórtico nos dá maior flexibilidade de trabalho e reduz o tempo de obras, já que é possível fazer, nas oficinas, o que antes era feito no cais”, explica o diretor comercial do Brasfels, Gilberto Israel. Isso significa que boa parte do trabalho pode ser feito nas oficinas, deixando para içar as estruturas com um acabamento mais avançado. O equipamento deve ser inaugurado em março, a tempo de içar os seis megablocos, de 1,7 mil toneladas cada, que compõem o convés da sonda Urca.

Com uma força de trabalho de 6,5 mil empregados diretos e alguns técnicos importados de Cingapura, o estaleiro tem hoje 14 unidades, entre sondas e plataformas de produção, em sua carteira de encomendas. No cais, está em fase final de obras o navio plataforma Cidade de Mangaratiba, que deve indicar as operações no pré-sal no segundo semestre. Logo após, chega a unidade Cidade de Itaguaí, que também será instalada no pré-sal. Em paralelo, são realizadas as obras dos navios sonda.

Israel não quis revelar os planos para a área contígua, que pertencia ao estaleiro de reparos SRD e foi adquirida há três meses. A expectativa é que a empresa precise de capacidade adicional em 2016, quando quatro sondas do contrato com a Sete estarão em obras ao mesmo tempo. “Hoje, as sondas ocupam metade do espaço que temos. Mas obviamente não gostamos de ocupar toda a área. Sempre queremos ter um espaço para novas obras”, comenta o executivo.

No auge das obras de grandes plataformas, como P-51 e P-52, da Petrobras, o Brasfels chegou a ter nove mil trabalhadores. Não há sinais, porém, de retorno a esse montante, uma vez que a adoção de processos construtivos mais modernos reduz a necessidade de pessoal. “Nesses 14 anos após a reabertura, temos obtido ganhos com o processo de aprendizagem”, diz Israel, citando a redução do prazo de integração do convés de uma plataforma, conhecido como mating, que caiu de 30 para 11 dias entre a primeira e a terceira e última operação realizada.

Fonte:Brasil Econômico/Nicola Pamplona

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