Piauí e Pernambuco surgem como novos polos eólicos

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Ao exigir que os novos parques já tivessem uma conexão com a rede de transmissão para participar dos leilões de energia, o governo federal acabou mudando o eixo da indústria eólica no país. Com os certames realizados em agosto e novembro, dois novos polos de geração de energia a partir dos ventos surgiram no Nordeste, um na Chapada do Araripe, no interior do Piauí, e outro na região de Garanhuns, no interior de Pernambuco, cidade natal do ex-presidente Lula.

Até o momento, a Bahia e o Rio Grande do Norte eram os principais centros de geração de energia eólica do país, mas a escassez de linhas de transmissão nessas regiões limitou a participação de novos parques nos últimos leilões. A construção das linhas de transmissão está a cargo da Chesf, braço do grupo Eletrobras no Nordeste, mas as obras estão atrasadas.

“Não tínhamos planos de desenvolver tão cedo os parques na Chapada do Piauí e na região de Garanhuns”, afirmou, em entrevista ao Valor, Lucas Araripe, diretor de desenvolvimento de negócios da Casa dos Ventos, uma das empresas que mais venderam contratos nos dois últimos leilões. Os dois locais ficaram competitivos depois das regras impostas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), diz o executivo. Para vender contratos de energia nos certames, os empreendimentos precisavam ter ou investir em uma conexão com a rede elétrica.

A região ao sul do Piauí, coincidentemente chamada de Chapada do Araripe, apresenta um dos maiores potenciais eólicos do mundo. Essa área será, no futuro, o maior polo de produção de energia eólica do Brasil, com uma capacidada instalada de 4 mil MW, estima o diretor da Casa dos Ventos.

Deste total, 1.060 MW vão entrar em operação até 2016, se somados tanto os projetos vendidos nos dois últimos leilões (com 660 MW de capacidade instalada) como os parques que serão construídos pela Queiroz Galvão, cuja energia será vendida para o mercado livre (com 400 MW de capacidade instalada).

A energia desses parques será conectada na linha de transmissão que passa próxima à Chapada, entre os municípios de São João do Piauí e Milagres. A linha possui capacidade de 1.200 MW e será duplicada. A Casa dos Ventos terá de construir um trecho de conexão e uma subestação para ligar a energia dos parques na linha de transmissão, mas, como a geração de energia será em grande escala, esse custo será diluído, diz Araripe.

Também já existe, no município de Picos, uma subestação com capacidade instalada de 210 MW, que vai escoar a energia dos parques vendidos no leilão de energia de reserva, em agosto.

Garanhuns, em Pernambuco, é outro local que promete ser, nos próximos cinco anos, um dos principais centros de geração de energia eólica do Brasil, com potencial de 600 MW, diz Araripe. Segundo ele, a empresa fará uma subestação próxima aos parques de 810 de MW de capacidade instalada. No leilão de reserva, em agosto, a Casa dos Ventos vendeu parques éolicos na região com uma potência total instalada de 190 MW, o que significa que ainda existe muito espaço para expandir, diz Araripe.

A Casa dos Ventos pretende continuar vendendo energia de projetos em Garanhuns e no sul do Piauí nos próximos certames, incluindo o A-5 (para projetos que ficarão prontos em cinco anos), que será realizado no dia 13 de dezembro.

Tanto no leilão de energia de reserva como no leilão A-3 (para projetos que ficarão prontos em 2016), em novembro, a Casa dos Ventos venceu sozinha, pela primeira vez, parte dos projetos eólicos. Na região de Garanhuns, os parques são 100% da empresa, enquanto, no Piauí, os projetos próprios somam 270 MW.

Uma parte dos empreendimentos na Chapada do Araripe, que somam uma capacidade instalada de 390 MW, será construída em sociedade com a Chesf e o grupo americano Contour Global, que será ainda a operadora dos projetos.

O Piauí também chamou a atenção de empreendedores interessados em vender energia para o mercado livre, como a Queiroz Galvão, cujos parques ficarão prontos em 2016, assim como os empreendimentos negociados nos leilões do governo, para o mercado regulado. Segundo Araripe, a Casa dos Ventos vai receber royalties pelos projetos, ou percentual da receita.

Fonte: Valor Econômico/Claudia Facchini | De São Paulo

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