Está procurando um emprego com um ótimo salário? Segundo o Cadastro Central das Empresas, em 2011 a remuneração dos trabalhadores desses setores liderou o ranking em Pernambuco

 

Em busca de qualificação e melhores oportunidades no mercado de trabalho, Humberto Souza, investiu em um curso de eletricista montador. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
Em busca de qualificação e melhores oportunidades no mercado de trabalho, Humberto Souza, investiu em um curso de eletricista montador.

Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Que tal ter um rendimento mensal de 13,1 salários mínimos? Em cifras, significa quase R$ 9 mil por mês. Ficou interessado? Então é bom ficar de olho em duas áreas que estão crescendo no estado: a de eletricidade e de gás. De acordo com o Cadastro Central das Empresas, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011 a remuneração dos trabalhadores desses setores liderou o ranking por aqui. A média salarial também é superior ao rendimento médio dos pernambucanos, que é de 2,6 salários mínimos.

Mas por que esses setores registram altos salários? De acordo com a pesquisadora do IBGE, Kátia Carvalho, apesar do estudo não ser qualitativo, existem dois fatores que devem ser observados. O primeiro é o nível de qualificação dos trabalhadores. “Percebemos que 33% da mão de obra possui nível superior. O índice está acima da a média nacional, que é de aproximadamente 17%”, constata. A concentração das vagas de trabalho em grandes empresas (com mais de 500 funcionários) também pesa no resultado. Segundo Kátia, cerca de 85% dos funcionários fazem parte de grandes corporações. A pesquisa considerou cargos de todos os níveis (técnico, médio e superior), em empresas privadas, públicas e sem fins lucrativos.

Os investimentos que Pernambuco vem recebendo nos últimos anos (como as empresas que se instalaram no porto de Suape e o surgimento dos pólos farmacoquímico e vidreiro) alavancam ainda mais os setores de eletricidade e gás. “A linha divisória para o setor no estado é 2006, quando várias empresas começaram a chegar aqui”, diz o presidente da Areva Koblitz, André Salgado. De acordo com ele, o crescimento do setor de eletricidade demandou, naturalmente, profissionais para atuar na área. “A competitividade de profissionais aumentou, e os salários também”, diz. O crescimento da matriz eólica também impulsiona o mercado no estado.
Para ele, a demanda deve continuar aquecida nos próximos anos. “Ainda há muitas empresas se instalando por aqui. Não só em Suape, mas também em Goiana e em outros municípios pernambucanos. O mercado ainda vai necessitar muito de profissionais qualificados na área de energia”, diz.O presidente da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), Aldo Guedes, diz que o setor possui altos salários em todo o mundo. “Não é uma exclusividade nossa. O petróleo é um recurso escasso, e as empresas estão buscando alternativas mais limpas e renováveis para continuar realizando suas atividades”, afirma. Nesse cenário, o gás natural tem ganhado cada vez mais espaço. Para se ter uma idéia, o consumo médio de gás não térmico (utilizado pelas indústrias, comércio, residência e veículos) é de 1,1 milhão de metros cúbicos. “Nos próximos cinco anos, a expectativa é que o mercado cresça 200% em valor de revenda”, estima. Com relação aos salários, Guedes acredita que, dependendo da conjuntura econômica dos próximos anos, os valores poderão ser mais altos. “O mercado tem um grande potencial no estado e, se todos os projetos governamentais forem concluídos, as chances são altas”, garante.
Dificuldades na capacitação de novos profissionais

Um dos grandes entraves enfrentados pelas empresas dos setores de eletricidade e gás é a capacitação da mão de obra. Hoje, no estado, há diversos cursos que formam profissionais para atuar nos dois setores, mas os interessados desistem no meio do caminho. “É difícil formar profissionais na área de energia por conta da duração das aulas e dos assuntos abordados”, diz a secretária executiva de trabalho e qualificação da Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo (STQE), Angella Mochel.

Segundo ela, as dificuldades começam ainda no processo de fechamento das turmas. “É preciso uma quantidade determinada de alunos, e nem sempre elas conseguem ser fechadas rapidamente”, atesta. Como se não bastasse, a evasão dos alunos (durante o andamento dos cursos) chega a 30%. O desconhecimento dos trabalhadores sobre o potencial dessas áreas é um dos principais motivos para a debandada. “É muito importante sempre orientá-los com relação a esses pontos”, aconselha.

Exercendo a profissão de eletricista há 15 anos, Humberto Souza, 37, decidiu investir em um curso de capacitação na área. Há um mês, ele concluiu o curso de eletricista montador. “Estava em busca de uma qualificação melhor para voltar ao mercado de trabalho. Hoje as empresas estão bem mais exigentes”, conta ele, que há quase um ano está desempregado. O próximo passo, segundo ele, será investir em uma qualificação de nível técnico.

Confira a média de salários mínimos por área de atividade

CADASTRO CENTRAL DE EMPRESAS – 2011
PERNAMBUCO
Atividade Salários Mínimos
Agropecuária, produção floresta, pesca e aquicultura 1,4
Indústrias extrativas 2,4
Eletricidade e gás 13,1
Água, esgoto, atividade de gestão de resíduos 2,2
Construção 2,9
Comércio; reparação de veículos (autos e motos) 1,8
Transporte, armazenagem e correio 2,7
Alojamento e alimentação 1,4
Informação e comunicação 3,9
Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados 6,3
Atividades imobiliárias 2,5
Atividades profissionais, científicas e técnicas 3,8
Atividades administrativas e serviços complementares 1,5
Administração pública, defesa e seguridade social 3,5
Educação 3,2
Saúde humana e serviços sociais 2,6
Artes, cultura, esporte e recreação 1,7
Outras atividades de serviços 1,9
Organismos internacionais e outras 6,7
Fonte: IBGE

Diário de Pernambuco

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