Os índices do faturamento real, massa salarial e nível de emprego do comércio varejista da Região Metropolitana do Recife diminuíram em abril, na comparação com março, mesmo a Semana Santa tendo acontecido nos últimos dias deste mês, numa indicação de que o desempenho do varejo está pouco a pouco se distanciando da forte expansão registrada em anos anteriores.

A despeito da retração verificada em abril os resultados acumulados no ano são bons. No faturamento e nível de emprego os aumentos foram superiores a 3% enquanto a massa de salários 5%, quer se considerem ou não os números das concessionárias de veículos. “Além do mais os índices também são positivos na comparação com abril do ano passado, que se reflete numa melhoria das expectativas de empresários e gerentes de que o varejo este ano continue seu bom desempenho iniciado em 2004”, explica o consultor da Fecomércio, Luiz Kehrle.

Deve-se reconhecer, todavia, que as boas performances não são distribuídas por todos os segmentos e ramos acompanhados pelo índice do Instituto Fecomércio. Ramos como supermercados, livrarias e papelarias e calçados apresentaram os aumentos mais significativos no faturamento, enquanto os de móveis e decorações, cine-foto-som e óticas, farmácias e perfumarias e concessionárias de veículos a expansão foi inferior a 1%. “Vale ressaltar que dos 13 ramos acompanhados na pesquisa, apenas 5 verificaram retração nas vendas anuais como nos casos de informática -9,83% e utilidades domésticas -6,08%”, completa o também consultor econômico da Fecomércio, José Fernandez de Menezes.

O desempenho do varejo de materiais de construção merece destaque. Seus resultados são positivos para as três variáveis medidas, em todos os períodos de comparação. No ano acumula aumento superior a 11% no faturamento, na massa salarial e no emprego, um resultado notável. O que é ainda mais importante é que os bons índices deste ano são a continuidade de um ciclo de crescimento do ramo que dura há vários anos, puxado pelo aumento da renda, disponibilidade de crédito e crescimento dos programas habitacionais destinados as famílias de baixos rendimentos.

As expectativas acerca do desempenho do varejo este ano foram afetadas recentemente pelos dados do PIB referentes ao primeiro trimestre de 2013, divulgados pelo IBGE, permitindo prever um crescimento da renda nacional abaixo de 3%, enquanto que a desaceleração do consumo das famílias aponta para uma acomodação em um novo patamar. Além disso, os números da PME do IBGE mostram uma pequena queda dos ganhos reais e estabilidade no crescimento da população ocupada, entre março e abril.

Esses resultados, acrescidos da expectativa de continuidade da diminuição do crescimento do crédito, levam a uma previsão de desempenho do varejo na RMR este ano igual ou um pouco melhor que os 4% registrados em 2012. Se realizada, mesmo levando-se em conta o esfriamento do varejo, deve ser considerado que ao final do ano terá se consolidado um longo ciclo de crescimento de dez anos de duração, um resultado, sem dúvida notável.

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