Mineração impulsiona negócios em PE

Boom da construção civil aumenta pedidos de licenciamentos para exploração de lavras em Pernambuco

Na Terragran, em Moreno, são extraídos e beneficiados de 10 mil a 20 mil metros cúbicos de granito por mês (HELDER TAVARES/DP/D.A PRESS)
Na Terragran, em Moreno, são extraídos e beneficiados de 10 mil a 20 mil metros cúbicos de granito por mês
MARIANA GOMINHOPuxada pelo “boom” da construção civil, a mineração em Pernambuco está em expansão, com aumento nos pedidos de licenciamento, requerimentos de pesquisa e de lavra nos últimos cinco anos. As grandes obras, como a Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco, e a chegada de indústrias, como Fiat e Hemobrás, também impulsionam o setor, pois demandam matérias-primas minerais, como areia, argila, calcário e granito. Só em janeiro deste ano, 517 novas minas foram implantadas, da Região Metropolitana ao Sertão do estado.

Diante desse cenário promissor, novas empresas nasceram, cavando espaço entre companhias milionárias. Em Moreno, muncípio da Zona da Mata pernambucana, a Terragran Engenharia trabalha com granito desde 2009. A pedreira foi comprada de outra empresa e dela são extraídos e beneficiados de 10 mil a 20 mil metros cúbicos por mês. Segundo o supervisor de manutenção, João de Sá Ferraz, é preciso investir muito em tecnologia para entrar no setor, que demanda máquinas de alta precisão e caras. “Um conjunto de britagem chega a custar R$ 10 milhões. Ainda tem escavadeiras, peneiras etc. Vários bancos financiam o valor. É aí que muita gente se dá mal, pega o dinheiro e acha que já é um lucro”, diz.

Outra dificuldade apontada por Ferraz é a competição desleal de novatos. “A falta de experiência faz com que eles pratiquem preços menores que a média do mercado. O custo operacional dos equipamentos, explosivos e mão de obra qualificada é elevado e muitos não se sustentam ao longo do tempo. Logo se desequilibram e entram em crise.” É preciso, portanto, ter bastante firmeza na administração dos recursos, a fim de não comprometer o orçamento nem o patrimônio. A expectativa é de que o mercado se estabilize em cerca de cinco anos.

Na área de consultoria, a GIS Mineração dedica-se ao desenvolvimento de projetos para exploração de minérios. O sócio diretor, Roberto Sousa, está concluindo o curso de geologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e decidiu empreender por sede de novos desafios. “Queria provar a mim mesmo que sei fazer todo o processo. Fazemos do estudo topográfico do terreno e cálculo da reserva existente ao plano de explotação (retirada), com assessoria operacional e jurídica. Oferecemos tecnologia e know-how.” A empresa oferta ainda treinamentos a profissionais da área, como o curso de software Arcgis, para desenvolvimento de bases de dados espaciais.

Para aquecer os negócios, Sousa procura circular em fóruns e congressos de mineração, ampliando o networking para ganhar parceiros e clientes. “Isso é muito importante no setor. Temos atividade em vários estados do Nordeste e é frequente precisarmos de ajuda durante o projeto.” Ele aponta a burocracia como entrave para alavancar o número de minas implantadas. “A gente perde muito tempo esperando a liberação de licenças e alvarás. Por outro lado, falta ao governo uma base técnica de dados sobre o potencial do estado.”

A outra face da moeda, o superintendente do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Paulo Jaime Alheiros, critica a pressa das empresas, que muitas vezes descuidam da pesquisa do terreno. “Os geólogos e engenheiros de minas são chamados para fazer só o reconhecimento inicial e o requerimento. Um estudo bem feito pode diminuir o custo de produção”, adverte. O segundo determinante para o sucesso é o planejamento prático. “Botar no papel e realizar são coisas diferentes. Periodicamente, tem-se assistido a grandes bateladas de requerimentos para metálicos – cobre, chumbo, zinco e níquel – em algumas regiões do estado, que na grande maioria do caso não prosperam. É preciso paciência.”

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