O tamanho da falta que Pernambuco faz

De Buenos Aires, Cingapura, Luanda, Nova York e Paris, cinco pernambucanos soltos no mundo escolhem qual lugar é imperdível de se visitar em Pernambuco

\\ Por Guilherme Carréra \\

O que Rafaela, Michelson, Catarina, Karina e Renata têm em comum? A saudade que sentem de Pernambuco. Longe de casa, cada um em um continente diferente, esses cinco pernambucanos conversaram com o Pernambuco.com sobre a nova vida que levam, as diferenças culturais que enfrentam e como enxergam o estado natal à distância. De quebra, indicam o que, para eles, é imperdível o turista que vem a Pernambuco conhecer. Hora da volta ao mundo.

Quase uma hermana
 
Rafaela Aguiar nas proximidades da Avenida 9 de Julho, em Buenos Aires. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
 
Há cerca de um ano, a jornalista Rafaela Aguiar, 28 anos, deixou Candeias, no município de Jaboatão dos Guararapes, vizinho ao Recife. Queria fazer uma pós-graduação e se mandou para Buenos Aires, capital da Argentina, aqui mesmo na América do Sul. Jornalismo Digital foi o curso escolhido. Para se sustentar, começou a trabalhar como editora de conteúdo para internet, voltado ao público brasileiro de uma empresa norte-americana. Observadora, como exige a formação, repara em tudo que os portenhos fazem. E sente falta, muitas vezes, do que os pernambucanos faziam. “Temos uma culinária muito diversificada e um tanto quanto única. Sinto falta do arroz com feijão preto, da macaxeira com charque, do queijo coalho, cuscuz com leite, dos mais variados pescados que temos”, enumera.De tanto receber amigos, conhece Buenos Aires como a palma da mão. “A cada mês, era um conhecido diferente que chegava. Chegou um momento em que fiz o papel de ‘guia turística'”, diverte-se. Para quem quer visitar Pernambuco, Rafaela tem uma longa lista de must see: “Visitar o Mercado de São José, a Casa da Cultura, o Pátio de São Pedro, o Centro de Artesanato, a Oficina Brennand, descobrir um pouco sobre o Rei do Baião, sobre o manguebeat, e comer uma deliciosa carne de sol no restaurante O Buraquinho…”. O que é imperdível? “As praias. De Boa Viagem a Porto de Galinhas. Quando voltei de férias a Pernambuco, fiz questão de vivenciar aquele clima praieiro, com queijo coalho na brasa e cerveja gelada com os amigos”.

Vista aérea da praia de Boa Viagem, um dos lugares preferidos de Rafaela Aguiar. Foto: Carlos Oliveira/Prefeitura do Recife/Divulgação  
Vista aérea da praia de Boa Viagem, um dos lugares preferidos de Rafaela Aguiar. Foto: Carlos Oliveira/Prefeitura do Recife/Divulgação

Merci, s’il vous plaît et pardon

De Petrolina para Paris. Michelson Santos também tem 28 anos e mora há cinco na França, no continente europeu. Atravessou o Atlântico pela primeira vez em 2006, para fazer um curso de férias em Lyon. Dois anos depois, voltou para a Normandia, dando continuidade aos estudos de francês. Empolgou-se e seguiu para Paris. Formado em letras no Brasil, resolveu começar uma graduação em comunicação. Não só se graduou, como emendou com um mestrado em turismo. Além do trabalho na recepção de um albergue, Michelson toca, desde outubro de 2011, o projeto Embalada Paris, dedicado ao público brasileiro que deseja visitar a França a partir de roteiros personalizados. “Propomos apresentar o país de forma mais autêntica, descobrindo lugares ainda não explorados pelos turistas brasileiros”, afirma.

Michelson Santos passou pela Normandia, antes de se fixar em Paris. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação  
Michelson Santos passou pela Normandia, antes de se fixar em Paris. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Sobre as diferenças, ele ressalta o modo como o francês se comporta socialmente. “Na própria língua francesa, usamos pronomes e conjugações verbais diferentes com as pessoas que não conhecemos. Bom dia, boa tarde, boa noite, obrigado, por favor e desculpa são palavras obrigatórias. E a pontualidade: é respeitoso chegar na hora marcada, sem atraso”. Em compensação, Pernambuco, para o mestrando, é sinônimo de receptividade. De sertão, agreste, zona da mata, litoral. De maracatu, frevo, manguebeat. De tapioca, caldinho, cerveja. E do melhor pôr-do-sol. “Meu lugar favorito no Recife é a Torre Malakoff. Porque eu ia, com frequência, visitar as exposições e sempre levava os amigos turistas no fim da tarde para ver o pôr-do-sol. A vista é linda, tanto a do Porto, como a do Recife Antigo, com os arranha-céus ao fundo”.

Torre Malakoff é o lugar preferido de Michelson Santos no Recife. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press  
Torre Malakoff é o lugar preferido de Michelson Santos no Recife. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press


O mar mais verde-azulado

Catarina Longman, 32 anos, foi para mais longe. Do outro lado do planeta, na cidade-estado de Cingapura, na Ásia, mais especificamente. A volta ao mundo começou em 2007, quando foi morar na Índia e lá ficou por três anos. Hoje, casada, dedica-se à dissertação do MBA, enquanto aproveita a vida ao ar livre na nova cidade. “Aqui posso sair pra qualquer lugar a pé e pegar um ônibus ou ir de metrô, o transporte público é excelente. Cingapura é muito seguro e não há perigo em andar sozinho (ou não) pelas ruas”. Qualquer diferença com o Recife de hoje seria mera coincidência?

Catarina Longman na paisagem de Cingapura. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação  
Catarina Longman na paisagem de Cingapura. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Curiosamente, Catarina diz que sente muita falta de dirigir seu carro, tendo como paisagem a Avenida Boa Viagem, as pontes do Recife e o centro da cidade. Estrada afora, indica a praia de Tamandaré, no litoral sul, como principal atrativo para o visitante. “Sempre passei minhas férias de verão e outros feriados lá. Pra mim, é a praia mais linda de todas, com o mar mais verde-azulado”. Embora o turismo em Pernambuco esteja vivendo um bom momento, ainda falta estrutura para receber estrangeiros. E Catarina sabe disso. “Infelizmente não é fácil encontrar pessoas falando inglês ou outra língua estrangeira em Pernambuco. Posso dizer com conhecimento de causa que a estrutura e o suporte pra turistas estrangeiros estão bem abaixo do esperado, se comparados aos dos países do sul da Ásia”. Para refletir.

Praia dos Carneiros, com a Capela de São Benedito nas areias, é uma das belezas do município de Tamandaré. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press  
Praia dos Carneiros, com a Capela de São Benedito nas areias, é uma das belezas do município de Tamandaré. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Brooklyn girl

De bicicleta pelo Brooklyn. O verão escaldante põe a jornalista Karina Vieira nas ruas, pedalando pela cidade de 8 milhões de habitantes que aprendeu a chamar de sua. Foi a Nova York, na América do Norte, em 2001, para passar um ano fora do Brasil e ficar craque no inglês. Nunca mais voltou. Transferiu a faculdade, engatou o mestrado, começou a trabalhar. “Quando vi, minha casa era aqui”. Aos 31 anos, Karina cresceu na praia de Piedade, Jaboatão dos Guararapes, brincando com maria-farinha e sem medo de tubarão. De longe, o bolo de chocolate da mãe (e as melhores farras do mundo) se tornaram as saudades mais saudosas de Karina. “Em Nova York, as pessoas se orgulham de estarem sempre ocupadas. No Recife, as pessoas são muito mais relaxadas. Gostam de se divertir e não se sentem culpadas por isso. Acho isso massa”.

Karina Freitas no fim do inverno de Nova York. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação   
Karina Freitas no fim do inverno de Nova York. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Karina tenta visitar família e amigos, pelo menos, duas vezes ao ano. De volta, gosta de circular pelo centro do Recife. “Sempre que estou aí, caminho embasbacada com aquelas praças, igrejas e casarões. Mesmo mal tratadas pelo tempo e pelo descaso, essas construções continuam lindas”. Isso sem fechar os olhos para os problemas. “Mas ser pedestre no Recife não é nada fácil. É preciso estar atento não só aos inúmeros ‘obstáculos’ no meio do caminho, mas também à frequente falta de educação dos motoristas dos carros, o que é uma pena”.

Fachada do Teatro Santa Isabel, um dos monumentos do centro do Recife. Foto: Hugo Acioly/Secretaria de Turismo de Pernambuco/Divulgação  
Fachada do Teatro Santa Isabel, um dos monumentos do centro do Recife. Foto: Hugo Acioly/Secretaria de Turismo de Pernambuco/Divulgação


Dando um tempo das ladeiras

Renata Vasco em festa de São João realizada em Luanda, na Angola. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação  
Renata Vasco em festa de São João realizada em Luanda, na Angola. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Para acompanhar o noivo, Renata Vasco, 30 anos, deixou Olinda por Luanda, em Angola, na África. O destino incomum trouxe a reboque uma rotina de trabalho puxada. “Vivemos pra trabalhar. Normalmente, das 8h às 20h”, conta a publicitária, hoje funcionária do marketing de uma empresa angolana. De endereço novo desde abril de 2012, Renata está dando um tempo da boemia do Sítio Histórico de Olinda, seu habitat da vida inteira. “Circulava muito pelas ladeiras da Cidade Alta, seja participando de manifestações culturais, seja relaxando na Bodega de Véio, depois de dias cansativos de trabalho”.Atualmente, diversão é sinônimo de piscina, churrasco e cerveja entre amigos. “Saio menos pra bares e restaurantes”.

Fã de praia, ela se ressente pelo fato de que as praias mais próximas não são tão próximas assim. O que a faz lembrar, invariavelmente, do estado natal. “Um dos meus lugares favoritos em Pernambuco é o nosso litoral norte. Amo a Coroa do Avião e toda aquela área de Vila Velha, Nova Cruz, Igarassu. Apesar de pouco explorado pelo turismo, tem muito potencial”. Recentemente, voltou a Olinda para o carnaval. Foi só emoção. “Nenhum outro lugar tem a energia cultural que nosso estado tem. No carnaval, eu chorava a todo instante. No ensaio da Pitombeira, semanas antes do carnaval, com os bonecos gigantes, na Noite dos Tambores Silenciosos…”. Passional, a última visita serviu para Renata perceber o que o leitor já deve suspeitar: “quanto mais o tempo vai passando, mais eu amo o meu estado”.

A Coroa do Avião, em Itamaracá, no litoral norte de Pernambuco, é uma das praias das quais Renata Vasco sente mais falta. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press  
A Coroa do Avião, em Itamaracá, no litoral norte de Pernambuco, é uma das praias das quais Renata Vasco sente mais falta. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Fonte: PERNAMBUCO.COM

 

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