Instituições de ensino investem em projetos que incitam o empreendedorismo

Carolina Mansur

Foto: Beto Novaes/EM/D.A. Press

Terceiro país no mundo em número de empreendedores, com 27 milhões donos do próprio negócio, mais de 7 milhões de micro e pequenas empresas, que pagam 40% do total de salários, o Brasil ainda caminha na formação de novos empreendedores. Mas os especialistas garantem que as oportunidades criadas pelo dinamismo recente do mercado interno da economia brasileira só serão aproveitadas por quem estiver preparado. Como planejamento, liderança e inovação não são assuntos apenas para adultos, algumas escolas infantis, do ensino fundamental e médio começam a investir na formação de cidadãos mais conscientes, além de buscar despertar o espírito empreendedor em aulas e projetos que estimulam a criação de empresas e o trabalho em equipe.

Como resultado, a pedagoga e mercadóloga Ana Celia Ariza, autora de livros voltados para a educação empreendedora de crianças de 2 a 11 anos, destaca uma melhor preparação desses alunos para os desafios futuros. “Hoje, temos casos reais de universitários que se formam e não sabem o que fazer com o seu curso por uma falha na educação”, diz. A solução, segundo ela, é inserir a disciplina de forma lúdica ainda na primeira infância, já que a partir dos 2 anos a criança consegue absorver os primeiros conceitos de empreendedorismo nas brincadeiras e trabalhos em grupo.

Para Fernando Dolabela, autor de livros como O segredo de Luísa e professor responsável pela inserção de programas de ensino de empreendedorismo em mais de 2 mil escolas públicas e três particulares no Brasil, o tema ainda não é tratado com a seriedade que merece pelas instituições de ensino. “Empreender é o único instrumento de combate à miséria que faz o Produto Interno Bruto (PIB) crescer. A sociedade tem que ser empreendedora, mas ainda não há percepção nas escolas porque muitas ainda formam o aluno apenas para o vestibular”, garante.

Ainda de acordo com Dolabela, essa percepção é importante em um país que busca sua estabilidade econômica. “Num mundo em que o talento e a criatividade movem a economia, ninguém fala nesses assuntos. As pessoas vivem e morrem sem saber qual é o próprio talento e não são estimuladas na escola e em casa a persegui-lo”, ressalta. O resultado, segundo o especialista, são índices negativos de desempenho empresarial, por exemplo.

Em Belo Horizonte, o Colégio Magnum investe na formação de seus alunos por meio de seis projetos diferentes de empreendedorismo. A intenção, segundo a coordenadora dos programas de empreendedorismo e protagonismo estudantil, Alessandra Caixeta Vieira, é dar aos alunos de diversas faixas etárias a chance de conhecer as possibilidades. “Hoje, as crianças e adolescentes são mais inquietos e mostramos que ser empreendedor não é apenas ter uma empresa, mas também enxergar oportunidades e estar preparado para fazer a diferença”, afirma..

Vale do Silício

Entre os projetos da escola, está o Jovem empreendedor Magnum, que destacou o aluno Arthur Gomes Faria, de 17 anos. Estudante da instituição desde os 5 e acostumado a participar dos projetos de empreendedorismo, ele viu a oportunidade de empreender na própria escola . “Ao assistir a uma palestra sobre tecnologia, senti que aquilo podia ajudar muita gente. Então, comecei a pensar no que fazer para me aprimorar no universo de aplicativos e resolvi trazer isso para a escola”, conta.

Com a ideia em mãos, Arthur desenvolveu sozinho, em seis meses, o aplicativo Bhaskara, que auxilia os estudos de matemática, física e química, e sugeriu a implantação de um novo projeto de empreendedorismo em sua escola, o Vale do Silício Magnum – o nome é referência à região norte-americana que é polo de inovação científica e tecnológica. A novidade sai do papel ainda este ano.

Resultado positivo além da sala de aula
A preparação desde a infância e durante a adolescência voltada ao empreendedorismo, segundo Rubens Albuquerque, diretor da Escola Técnica de Formação Gerencial (ETFG) do Sebrae, é revertida em maturidade para que os alunos entendam sobre suas aptidões, alem de trazer resultados como menores taxas de mortalidade das empresas no futuro e maior geração de emprego e renda. “Até então, sempre fomos treinados a pensar nesse assunto depois do ensino superior, mas hoje o mercado cresce numa velocidade que exige uma preparação antecipada”, diz.

Ainda segundo Albuquerque, a preparação, que deve começar na escola, trará benefícios para a vida adulta e pode ser prazerosa. Na ETFG, ele destaca que os 450 alunos do ensino médio aprendem na teoria e na prática, por meio de quatro projetos institucionais, como funciona a vida de uma empresa. “Eles têm empresários tutores e aprendem como gerir , vendo como é a aplicabilidade dos conhecimentos no campo real”, conta.

No Instituto da Criança, a diretora Margarida Figueiredo também investiu na formação com os olhos para o empreendedorismo. Voltada para crianças de 10 e 11 anos, a proposta era aproximá-las do universo dos negócios, dando-les desafios pertinentes a um negócio comum. “Alunos do 5º período escolheram um produto a ser comercializado, compraram matéria-prima, calcularam custos, produziram e venderam”, conta a diretora, que destaca o envolvimento das crianças com o projeto. Para Breno Duarte Alvim, de 11 anos, que participou do projeto, aprender sobre empreendedorismo trouxe outros conhecimentos que hoje são utilizados em seu dia a dia. “Aprendi a economizar e que numa empresa a gente não só ganha, tem que investir para vender e depois ter lucro”, afirma.

DIARIO DE PE

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