Os trilhos na histórica Bordeaux

Inaugurado em 2003, o transporte sob trilhos mudou a dinâmica dos deslocamentos

Por Tânia Passos*

O VLT transporta seis milhões de passageiros por mês e atende 12 municípios da Região Metropolitana de Bordeaux

O que a cidade de Bordeaux, na França, tem em comum com o Recife? As duas são cidades históricas, portuárias e cortadas por rios. Mas as semelhanças podem parar por ai. Com uma arquitetura do século 17, Bordeuax integra uma das mais belas paisagens urbanas no interior da França. A cidade, que é patrimônio cultural da humanidade, tem 240 mil habitantes em seu núcleo principal, cerca de 800 mil na aglomeração urbana e 1,1 milhão de pessoas na Região Metropolitana composta por 27 municípios. Mas além da beleza arquitetônica e dos vinhos produzidos na região, Bordeaux vem se destacando na área do transporte público. Em 2003, foi implantado na cidade o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) e, em menos de uma década, transformou a dinâmica dos deslocamentos em sua Região Metropolitana.

Os trens deslizam pelas ruas do centro histórico como se sempre tivessem pertencido aquele lugar. À primeira vista podem dar a impressão de uso turístico, mas é preciso falar em números para entender o alcance do VLT na região. Com apenas 45 quilômetros de linha férrea e três linhas para conectar 12 dos 27 municípios metropolitanos, ela já faz parte do dia a dia da população. São 74 trens com intervalos de quatro minutos. O sistema transporta por mês cerca de seis milhões de passageiros, uma média de 200 mil pessoas por dia. É praticamente o que o metrô do Recife transporta. Mas é preciso levar em conta que o metrô é um modal de grande capacidade, ao contrário do VLT, e a Região Metropolitana do Recife é duas vezes maior que a de Bordeaux.

“São modais diferentes e realidades socioeconômicas também diferentes. Além disso, o VLT de Bordeaux tem uma tecnologia bem mais moderna que o nosso trem de subúrbio”, aponta o engenheiro e consultor em mobilidade urbana, Germano Travassos. O abismo entre o que separa a realidade francesa e a nossa tem vários aspectos a considerar. O primeiro deles é que as três linhas de Bordeaux se conectam com o Norte, Sul e Oeste da Região Metropolitana, o que não acontece no Recife. “O trem do Recife aproveitou a antiga linha férrea, que não era integrada à área urbana e continuou a não se integrar até hoje. O novo trecho da linha Sul é um pouco diferente e tende a ter uma melhor conexão com o espaço urbano”, reflete Travassos. O Recife dispõe de 39,5 km de linha férrea, duas linhas e 25 trens. Transporta por dia 250 mil pessoas, mas deverá duplicar a demanda quando estiverem em operação mais 15 trens até novembro de 2013.

Outro ponto, talvez o mais importante, é a regularidade dos trens com intervalos a cada quatro minutos. A cidade francesa também dispõe de um eficiente sistema de ônibus integrado ao VLT. “Em algumas das cidades metropolitanas o VLT não chega a entrar na área urbana. A linha faz a conexão com um terminal de ônibus”, explica Anne Raimat, diretora da comunidade metropolitana de Bordeaux. Por ano, o sistema VLT de Bordeaux realiza 117 milhões de viagens e representa 60% dos deslocamentos do transporte público da Região Metropolitana. Os ônibus absorvem 40% da demanda.

DIARIO DE PE

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    “Inaugurado em 2003, o transporte sob trilhos mudou a dinâmica dos deslocamentos”
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    “Inaugurado em 2003, o transporte sobre trilhos mudou a dinâmica dos deslocamentos”

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