Como será o mercado para as PMEs em 2013?

2013 tem tudo para ser um ano muito promissor para o empreendedorismo no Brasil. De acordo com pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2011 (GEM), realizada em parceria com o Sebrae e o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), de todos os 54 países pesquisados, o Brasil está em terceiro lugar em número de empreendedores, ficando atrás apenas da China e Estados Unidos.

Isso significa que 27% da população brasileira, com idade entre 18 e 64 anos, são empreendedores. Em termos numéricos, 14,4 milhões têm entre 25 e 44 anos, 3,4 milhões têm até 24 anos, seis milhões estão na faixa de 45 a 54 anos, e 3,3 milhões têm mais de 55 anos, ou seja, não existe idade para entrar no universo do empreendedorismo no país.

“Pelas pesquisas pode-se notar que o comportamento dos empresários brasileiros vem mudando na última década, sendo que atualmente donos de micro e pequenas empresas buscam conhecimento para iniciar e gerenciar negócios, pois entendem que quanto mais informação, mais competitiva será a empresa.”. Quem faz essa análise é João Victorino de Souza, especialista em finanças. docente de pós-graduação e dos cursos de MBA da Universidade São Francisco (USF) e diretor do Idape (Instituto de Inovação, Desenvolvimento e Aprimoramento de Pessoas e Empresas).

Para fazer um panorama sobre o mercado de empreendedorismo e as oportunidades que podem surgir com a chegada do novo ano, confira o bate-papo do Pensando Grande com o especialista da Universidade São Francisco.

1- Qual a sua avaliação do crescimento do número de empreendedores no Brasil?

Penso que e a instabilidade econômica que o país passou por muito tempo gerou na cultura brasileira algumas competências fundamentais para o empreendedorismo moderno: criatividade e facilidade de adaptação a mudanças.

Com a melhoria de inúmeros indicadores sociais e econômicos brasileiros, houve um aumento de interesse estrangeiro no nosso mercado, tanto para ampliação quanto para geração de novos negócios. Vejo que isso despertou as competências presentes no brasileiro e impulsionou os índices de crescimento de novos negócios comparativamente a outros países.

Outras competências vêm sendo adquiridas ao longo do tempo pelos empreendedores brasileiros, possibilitando com isso a sobrevida dos negócios. É possível citar a busca por informação e conhecimento para iniciar e gerenciar seus negócios, pois com o acesso a informação por meio de rádio, TV e internet, foi possível ampliar a visão de mundo e perceber que estudo e preparação dará sobrevivência ao negócio e também permitirá torná-lo mais competitivo.

2 – Uma recente pesquisa afirmou que as muitas empresas brasileiras fecham as portas antes de completarem dois anos. Há falta de preparo para abrir uma empresa?

A velocidade de mudanças no mundo têm forçado os negócios a serem mais ágeis e competitivos, alterando com isso a tendência de tamanho das empresas, que passam de grandes para pequenos empreendimentos, e estes em número muito maiores.

As PMEs somente irão garantir sua sobrevida se tiverem como líderes pessoas que entendem a diferença entre empresário e empreendedor. Muitos querem ser empresário, mas poucos querem o ônus de ser empreendedor. Muitos dos pequenos negócios são criados e geridos por pessoas que querem ser empresárias, ou seja, ter o negócio próprio, o status. Contudo, não querem pagar pelo ônus que o negócio exige e que somente quem tem o perfil empreendedor consegue superar. Dedicação, iniciativa, persistência, comprometimento, capacidade de correr riscos calculados, planejamento, persuasão e autoconfiança devem fazer parte do vocabulário e desafios de desenvolvimento do perfil empreendedor.

É sabido que empreender é possível com capacitação. Por isso, o crescimento dos programas de capacitação de empreendedores do Brasil tem demonstrado que as PMEs estão entendendo a mensagem da fórmula de sucesso para a sobrevivência desses empreendimentos.

3 – Como será o mercado para as PMEs em 2013?

O faturamento real das micro e pequenas empresas de um modo geral tem registrado aumento se comparado com 2011. Fatores como desempenho positivo do consumo no mercado interno, favorecido pelo desemprego em baixa e aumento da renda do trabalhador, tem puxado para cima o resultado das empresas.

Baseado nisso, temos uma perspectiva otimista e promissora para as PMEs, além de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, que geram necessidade de infraestrutura, produtos e serviços que possibilitam ainda mais a criação de novos empreendimentos, principalmente os pequenos. Eu arrisco dizer que, se alguém sonha em ter um negócio próprio, o momento é agora!

Embora o período seja interessante e promissor para PMEs, é fundamental saber que a criação do negócio deve estar baseada em oportunidades reais de mercado e não em subjeções infundadas. A identificação dessas oportunidades deve estar embasada por pesquisas em fontes primárias ou secundárias e alinhadas se possível com o gosto do empreendedor pelo negócio e não apenas pelo ganho financeiro.

As PMEs no Brasil investirão muito mais na área de serviços do que na área industrial ou no comércio. Essa é uma tendência mundial que demonstra a mudança no perfil das empresas. No antigo modelo do mundo empresarial, a base era a Indústria. Hoje, o modelo é do conhecimento e das relações em humanas e em rede, sendo com isso a justificativa para a ampliação cada vez maior da base de empresas prestadoras de serviços.

4 – Quais outros fatores podem influenciar a abertura de empresas no próximo ano?

A esperança de um fim de ano com desempenho melhor na economia é influenciada pela redução da taxa básica de juros Selic, que costuma surtir efeito num prazo mais longo de tempo. Essa redução facilita as vendas a prazo e reduz os custos dos investimentos, beneficiando as MPEs. O pagamento do 13º salário também pode ser um fator a se considerar.

Meu olhar de futuro é de que estamos em uma linha ascendente e não descendente do país, e isto é estimulante para quem deseja empreender. A melhoria de quesitos como risco Brasil, redução da taxa básica de juros Selic, ampliação das exportações, tem favorecido o cenário dos empreendimentos.

Minha recomendação para os futuros empreendedores ou aqueles em dificuldade: dediquem-se ao estudo contínuo, pesquisa, foco nos processos e pessoas, estratégia, qualidade e eficiência. Esses são excelentes caminhos para que os recursos dos PME sejam bem direcionados.

5 – Como o empreendedor pode se preparar para investir na sua própria empresa ou na abertura de uma em 2013?

Estudo e pesquisa! Esses são os melhores caminhos para que os recursos financeiros, tanto de um novo empreendedor quanto daqueles que pretendem expandir, sejam bem direcionados. A capacidade empreendedora não é algo inato, mas composta de competências, que podem ser desenvolvidas e aprimoradas com dedicação em preparação por meio de estudo.

De acordo com o Sebrae, por meio do programa de capacitação Empretec, as 10 competências (características do comportamento) do empreendedor são: Busca de oportunidades e iniciativa, persistência, comprometimento, exigência de qualidade e eficiência, correr riscos calculados, estabelecimento de metas, busca de informação, planejamento e monitoramento sistemático, persuasão e redes de contatos, independência e autoconfiança.

Gostaria de destacar também que a criatividade e flexibilidade é algo que deve permear o dia a dia do empreendedor brasileiro, pois isso está ainda muito presente no histórico de cultura brasileira e é diferencial competitivo de sucesso no mundo de negócios atual e de futuro.

6 – De que forma PME pode se preparar para competir com tantas outras?

Qualidade! Independentemente se a oportunidade é em produtos ou serviços com preços altos ou baixos, a oferta de qualidade em tudo que for oferecer é o melhor caminho! Lembre-se que qualidade é a entrega de produtos e serviços na especificação que for determinada. Se isso for ao encontro da expectativa do cliente, perfeito!

7 – Para finalizar, quais as dicas finais para os empreendedores?

Destaco, mais uma vez, que a criatividade e flexibilidade é algo que está presente na cultura brasileira. Utilizar-se ou aprimorar-se nessas competências, frente às oportunidades que temos em nosso país na Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 serão ótimos caminhos para inúmeras conquistas para empreendedores. O mercado está aí, de portas abertas para aqueles que possuem vontade e determinação. Faça de 2013 um ano diferente, saia do lugar comum, realize seus sonhos e seja feliz empreendendo.

PENSANDO GRANDE.COM.BR

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