Competitividade da indústria trava nos congestionamentos

Nem só as atividades econômicas ligadas ao varejo sofrem com o trânsito das grandes cidades. Os custos e o tempo gasto na logística das mercadorias e de seus componentes também impactam a competitividade do setor industrial. No estudo Cidades: mobilidade, habitação e escala. Um chamado à ação, que avaliou a situação de nove regiões metropolitanas – incluindo o Recife –, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que o gargalo dos deslocamentos urbanos “afeta o desenvolvimento do País ao restringir o fluxo de pessoas, bens e ideias, resultando em menos produtividade, inovação e qualidade de vida.

mobilidade

De acordo com o vice-presidente da Federação da Indústria em Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger, os problemas de mobilidade na Região Metropolitana do Recife têm um efeito direto na produtividade do setor. “Quando um trabalhador que mora na capital chega a gastar três horas num trajeto até Suape, onde está o maior polo industrial do Estado, e chega estressado no serviço, a produtividade dele certamente é afetada. E isso é difícil de ser mensurado”, declara.

Em razão do tempo gasto no trajeto para o trabalho, muitos funcionários preferem trabalhar na cidade onde moram e fora dos distritos industriais. Esse fenômeno obriga a indústria a aumentar os salários ou a trabalhar com mão de obra menos qualificada.

Os deslocamentos lentos nos perímetros urbanos da RMR aumentam os custos da logística, o que também dificulta a competitividade industrial. “Do Recife até Goiana, que é o outro polo industrial em destaque do Estado, um caminhão leva duas horas no percurso. Ao usar a BR-101, os caminhoneiros utilizam trechos muito urbanos e de rodovias com péssima qualificação”, exemplifica. Além do tempo perdido, o desgaste do material rodante e o consumo de mais combustível também aumentam o preço final dos produtos.

No estudo Competitividade Brasil 2012, recém publicado pela CNI, entre os 14 países pesquisados, o Brasil apareceu na última posição na categoria de “Infraestrutura de Transporte”. Nesse ítem perdemos até para os vizinhos Argentina e Colômbia. A qualidade da infraestrutura rodoviária e ferroviária do País apareceram respectivamente na 11ª e 12ª posição nesse ranking. As ferrovias brasileiras receberam nota 1,8 pela pesquisa. Piores desempenhos apenas nos portos e aeroportos, onde a qualidade do serviço foi classificada como a pior entre todas as nações pesquisadas.

PROPOSTAS – Durante as eleições municipais, a Fiepe enviou um documento com as propostas da indústria para todos os prefeituráveis e candidatos a vereador da RMR. Entre as demandas está a melhoria da infraestrutura de mobilidade urbana que consta nos planos do poder municipal, mas que permanece no papel. Na própria agenda da CNI para o desenvolvimento urbano está como primeiro tópico “privilegiar o transporte público de alto rendimento em redes multimodais”. No Recife as alternativas apresentadas por especialistas e empresários seguem na linha do uso de corredores de ônibus e linhas de Veículos Leves sobre Trilho (VLTs) integrados ao metrô.

Fonte: PE Investimento

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