O NE já responde por 36% do total de empregos no setor de calçados do País, atrás apenas do Sul

De olho no Nordeste, região que concentra a maior parte dos consumidores da classe C emergente no País e abriga três dos sete polos industriais de calçados do Brasil – Ceará, Bahia e Paraíba -, a indústria calçadista nacional decide apostar na Região, ampliando investimentos num mercado até pouco tempo esquecido pelo setor. Números da Associação Brasileira das Indústrias Calçadistas (Abicalçados) revelam que a Região ocupa hoje o primeiro lugar da produção no País, com 34% de participação. Logo depois vem o Sul (32%), seguido do Sudeste (30%) e do Centro-Oeste, que tem menos de 2% do total produzido.

Conforme a Abicalçados, o Nordeste ocupa hoje o primeiro lugar no ranking nacional de produção, respondendo por 34% do total fabricado no País. Em seguida, está a região Sul, com 32% de participação FOTO: KID JUNIOR

“Para se ter uma ideia do potencial da Região, basta dizer que ela já responde por 36% do total nacional de empregos no setor, ficando a apenas um ponto percentual do Sul, que ocupa o primeiro lugar”, frisa o diretor-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, segundo quem o consumo do Nordeste também está acima da média nacional.

Marca tradicional e já consolidada nos mercados interno e externo, a gaúcha de Três Coroas, Bebecê, comprova o movimento pró-Norte e Nordeste, destinando 30% de sua produção às respectivas regiões. “Há dois anos, iniciamos um projeto de estruturação da área comercial com foco no Norte e Nordeste. Hoje, dedicamos três das nossas dez trilhas de produção a esse mercado consumidor. Ou seja, dos 18 mil pares de calçados fabricados por dia pela marca, 5.400 pares são desenvolvidos especialmente para essas regiões”, conta o gerente regional da Bebecê, Jarles Evanir Ellwanger.

Segundo ele, a empresa observou que no primeiro semestre do ano não havia investimento em coleções de calçados voltadas aos públicos das regiões, já que nessa época normalmente o foco dos fabricantes é direcionado às regiões Sul e Sudeste.

“Resolvemos abrir o escritório de Recife para atender a classe C emergente do Norte e Nordeste. É ela que está tendo acesso ao consumo e irá definir o mercado nos próximos anos”, afirma Evanir Ellwanger.

Ceará

Em termos da média per capita de participação no consumo por população, o gerente regional da Bebecê diz que o Ceará ocupa o segundo lugar do Nordeste com 1,3% de participação, seguido da Paraíba com 1,2%. Na liderança está Pernambuco com 1,4% de participação per capita. “Esse é um mercado com grande potencial. Desde que estruturamos o escritório regional, há dois anos, já crescemos próximo de 150% na Região”, reforça.

A paulista Mariotta Calçados também está apostando suas fichas nas regiões Norte e Nordeste – que concentram 25% das vendas da marca de calçados femininos, dos quais o Nordeste participa com 14% do faturamento. Há cinco anos vendendo produtos da marca nas duas regiões, a Mariotta está entrando agora no Ceará.

“Começamos por Teresina e Maranhão. Mas com o crescimento da Região, vamos entrar mais forte em 2013 no Nordeste. E já estamos começando a investir em Fortaleza”, antecipa o diretor comercial, Fernando Mott, que espera crescer até 12% ao ano, com a ampliação de mercado. “Vamos fazer tudo para isso, inclusive investir 3% a 4% de nossas vendas em cada um desses mercados”, afirma.

Feira

No próximo mês de março, o Nordeste receberá a Feira 40 Graus, que tem como uma das principais mentoras a Bebecê. O evento será realizado em Natal (RN). “Nessa feira iremos lançar coleções para atender ao público que circula no Nordeste durante as festas juninas – época em que o setor vende 10% a mais na Região do que o Natal”, diz Evanir Ellwanger.

Consumo

1,3% é a participação do Ceará, em termos da média per capita de consumo por população, nas vendas da Bebecê no NE, atrás apenas de Pernambuco (1,4%)

ÂNGELA CAVALCANTE
REPÓRTER

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