CONVÊNIO Cinco Estados nordestinos assinaram acordo com o BNDES para o repasse de R$ 50 milhões para reservatórios subterrâneos. Haverá, ainda, verbas para kits de irrigação

Pedido feito em maio, em plena seca, pelos secretários de Agricultura dos Estados do Nordeste foi atendido ontem, em forma de acordo assinado entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Integração Nacional para repasse de R$ 50 milhões.

Dividirão os recursos, não reembolsáveis, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte. O dinheiro será empregado na construção de barragens subterrâneas, construção de biofábricas para produção de mudas e sementes, além de kits de irrigação.

As barragens se destinam ao armazenamento da água do subsolo de rios intermitentes, aqueles que só correm no período de chuva, durante a estiagem. É escavada uma vala até a camada impermeável do solo. Uma das paredes é coberta com lona plástica ou barro batido (argila compactada). Depois, o solo retirado é recolocado. A função da lona ou do barro batido é reter a água no solo.

Os kits incluem mangueiras, tubos de PVC, tubo gotejador, bombas, válvulas e caixas-d’água. Cada kit cobre uma plantação de dois hectares. Um reservatório de mil litros, segundo o BNDES, é suficiente para irrigar uma área de 500 metros quadrados.

A assinatura dos contratos foi feita ontem pela manhã, no auditório do JCPM, no Pina, Zona Sul do Recife, durante o seminário Desenvolvimento regional: avaliação, desafios e perspectivas para o Nordeste, promovido pelo BNDES como parte das comemorações pelos 60 anos do banco.

Participaram da solenidade o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, além do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. São R$ 38 milhões repassados para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e R$ 19 milhões para o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Podem pleitear os recursos agricultores inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico)

BIOFÁBRICA

A de Pernambuco, adianta o secretário estadual de Agricultura e Reforma Agrária, será de palma forrageira. Forrageiras são as plantas que servem de alimento para o gado. Nas biofábricas são produzidas mudas e sementes in vitro, o que possibilita uma multiplicação mais rápida de plantas com características semelhantes, como clones.

“A ideia é construir a biofábrica numa das estações experimentais do IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) localizadas no Semiárido”, afirma Ranilson Ramos. O IPA tem estações em seis municípios do Sertão: Araripina, Arcoverde, Belém do São Francisco, Ibimirim, Serra Talhada e Sertânia.

Na opinião do secretário, as ações previstas no acordo assinado ontem são estruturadoras para a região. “Não são pontuais, ou seja, de combate imediato à seca, como carros-pipa, por exemplo. Trata-se de intervenções que ficam de um ano para outro, permitindo a manutenção da agricultura familiar, responsável por 70% da produção”, analisa.

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