Estado de S. Paulo – Sabrina Valle

Mesmo sem ter garantido o recebimento do óleo venezuelano, a Petrobrás já comprou praticamente todos os equipamentos para processá-lo na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em construção em Pernambuco. A antecipação da compra foi um dos motivos de o projeto ter, em sete anos, multiplicado por quase dez vezes seu custo, hoje em US$ 20,3 bilhões. Se não receber o óleo venezuelano, a Petrobrás terá de importá-lo para suprir metade da capacidade da unidade, de 230 mil barris/dia. Segundo fontes, uma eventual saída da estatal PDVSA, que até hoje não aportou os 40% prometidos na obra, dependerá da própria companhia venezuelana ou da decisão bilateral dos governos do Brasil e da Venezuela. Já a Petrobrás, que investiu em equipamentos específicos para o pesado óleo venezuelano e contava com o capital da sócia, defende a sociedade com a PDVSA e deve estender indefinidamente os prazos para sua entrada.

Os prazos para que os venezuelanos apresentem as garantias para um empréstimo de US$ 4 bilhões com o BNDES vêm sendo prorrogado sucessivamente. A Petrobrás já ergueu sozinha mais de 62% das obras físicas e a inauguração está prevista para 2014, mesmo período em que a petroleira começará a elevar a curva de produção do pré-sal. A Petrobrás confirma que o suprimento de petróleo venezuelano para a Refinaria Abreu e Lima depende da concretização da entrada da PDVSA na sociedade. O contrato de fornecimento foi discutido e acordado, mas só será assinado quando a parceria iniciar, diz a companhia em resposta à Agência Estado.

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