Consumo dos orgânicos ajuda pequenos a crescer

Aumento de 30% nas vendas de uma grande rede de supermercados dobra produção de casal de agricultores

Mirella Falcão

Os produtos de Alaine Borba e André Freire já chegam a supermercados de cinco estados nordestinos (MIRELLA FALCÃO/DP/D.A PRESS)

Os produtos de Alaine Borba e André Freire já chegam a supermercados de cinco estados nordestinos

Produzidos sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos, os produtos orgânicos estão ganhando a preferência do consumidor que busca uma alimentação mais saudável. As vendas do segmento – que envolve as seções de hortifruti, mercearia e até carnes – cresceram 30% no primeiro semestre, segundo uma grande rede de supermercados. A alta da demanda beneficia os pequenos produtores, que hoje já fornecem os produtos para além das fronteiras do estado.

É o caso do casal Alaine Borba, 29 anos, e André Freire, 35. Eles são donos da marca Horta & Cia, que conta com até 30 diferentes itens de hortifruti cultivados no município de Glória do Goitá. Desde o ano passado, o crescimento do consumo permitiu dobrar a produção do casal, que antes atendia apenas as lojas do Pão de Açúcar no estado e agora é levada para os supermercados da rede em Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte. “A cada entrega, que ocorre três vezes por semana, eram 30 caixas. Hoje são 60”, comenta Alaine. Por esta razão, a área cultivada cresceu de três para cinco hectares e atualmente a plantação dos orgânicos envolve mais 13 agricultores, incluindo os três irmãos de André.

Filho de agricultores, André cresceu entre os agrotóxicos usualmente utilizados no processo tradicional de cultivo. A decisão de converter o seu campo para uma agricultura orgânica veio em 2004. “A preocupação inicial era com a nossa qualidade de vida. Vivemos entre várias plantações e vemos pessoas jovens ficando cegas ou com problemas no coração por causa dos produtos químicos usados na hortas. Não queremos isso”, conta Alaine.

Antes de iniciar a plantação, foi preciso deixar o solo sem produzir por um ano para “desintoxicar”. O cultivo de orgânicos também envolve pesados custos com as certificações exigidas pelo governo federal. “A gente tem que pagar pela certificação e bancar a vinda de todos os técnicos da empresa. Mas a maior dificuldade é que não há assessoria técnica especializada em orgânicos nos órgãos do governo. A gente aprende trocando experiências, buscando na internet, lendo”, diz André.

O escoamento da produção era feito através de cooperativas até 2009, quando o casal começou a vender para a rede de supermercados. Além dos benefícios para a saúde dos agricultores, a produção tem os preços mais estáveis. “Na plantação convencional, às vezes a gente ganha mais com uma safra. Em outras, pode ganhar bem menos. Com os orgânicos, há uma melhor noção do que vai ganhar”, destaca Alaine.

Diversidade nas gôndolas

Apesar de serem os mais vendidos, os hortifruti não são os únicos produtos orgânicos disponíveis no mercado. As gôndolas já contam com diversos itens industrializados de mercearia que recebem o selo de orgânicos. Têm ingredientes produzidos sem agrotóxicos e fertilizantes, além de não incluir aditivos e conservantes. O sortimento ainda inclui carne bovina, cujo gado foi alimentado por produtos sem agrotóxicos e sem o uso de medicamentos alopáticos. A maioria dos orgânicos custa mais, mas alguns itens já podem ser encontrados por preços similares e até menores.

Segundo Sandra Caires, gerente comercial de orgânicos do grupo Pão de Açúcar, o mercado de orgânicos movimenta US$ 52 bilhões no mundo e US$ 550 milhões no Brasil. “Sendo que 70% da produção nacional são exportadas. Menos de 1% da área agricultável é destinada aos orgânicos.” Só a venda de carnes orgânicas cresceu 300% neste ano. Para dar conta da alta na demanda, a rede tem desenvolvido fornecedores regionais. “Eles não encontram assistência técnica nos órgãos públicos. Contratamos especialistas para orientar esses produtores”, diz ela.

Todos os produtos orgânicos passam por um rigoroso processo de fiscalização para conquistar as certificações exigidas pelo governo federal. “Por isso, a qualidade desses alimentos é garantida”, diz Sandra. Mesmo com todos esses cuidados, nem sempre os produtos orgânicos são mais caros. Enquanto o preço de um azeite orgânico é R$ 14,99, o da marca líder é R$ 15,99. O palmito da marca de referência custa R$ 20 e o orgânico, R$ 15,90. A banana orgânica é vendida por R$ 3,25. Já a convencional, por R$ 3,39. “Ao ganhar escala, os fornecedores conseguem oferecer preços melhores.”

DIARIO DE PERNAMBUCO

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