A expansão pós-Suape

A reboque do complexo industrial, cada vez mais cidades mudam o rumo de sua economia – Sirinhaém é uma delas

MICHELINE BATISTA

Flávio José, 23,
era cortador de cana.
Hoje, sonha com
um futuro melhor na
fábrica da MKS (FOTOS: HELDER TAVARES/DP/D.A PRESS)

Aos poucos, o desenvolvimento do Complexo Industrial Portuário de Suape começa a se espalhar pela Mata Sul de Pernambuco. E a população de cidades vizinhas do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca começa a mudar de vida. Flávio José da Silva, 23, era cortador de cana desde os 18 anos. Hoje é ajudante de caldeiraria na unidade de spools e equipamentos industriais que o grupo MCE inaugurou ontem em Sirinhaém. A primeira fábrica do município, depois da Usina Trapiche.

“Um irmão que trabalha na usina me falou que ia ter um curso de caldeiraria em Sirinhaém. Fiz a prova e passei, e por isso tive uma oportunidade de trabalhar aqui. Não é fácil o cara vir do corte da cana, acordar todo dia às três e meia da manhã, e chegar até aqui. Agora posso pensar num futuro melhor”, conta Flávio. Os anos da dura rotina como trabalhador rural ficaram definitivamente para trás.

A história de Flávio, nascido em Rio Formoso e morador do distrito de Santo Amaro, em Sirinhaém, serviu de exemplo durante a cerimônia de inauguração da fábrica da MKS, subsidiária da MCE. “Antes, a única ferramenta que eu sabia pegar era uma foice para cortar cana. Hoje eu sei pegar numa lixadeira”, discursou, todo orgulhoso.

Outro exemplo festejado foi o de Wilicleide Santos, 23, que recebeu a carteira de trabalho assinada em nome de todos os funcionários. A terraplenagem da fábrica da MKS estava apenas começando, em janeiro de 2011, quando ela enviou seu currículo. Conseguiu ser aprovada na seleção. “Estou na empresa desde que ela começou. Fui ajudante de solda e hoje estou na área de produtividade. Tudo que os soldadores produzem eu contabilizo e anoto. Vejo que posso crescer aqui”, confidenciou.

Wilicleide Santos, 23,
recebeu a carteira de
trabalho em nome de
todos os funcionários
da nova indústria

A jovem, que nasceu em um engenho, o Buranhém, relata que estudou com muita dificuldade. “Eu não queria ficar em casa como a minha mãe e minhas irmãs, nem queria trabalhar no comércio. Sabia que, estudando, eu poderia ter uma oportunidade de trabalhar em uma área diferente.” Depois de terminar o ensino médio, Wilicleide procurou fazer vários cursos, inclusive um de caldeiraria.

Dos 353 funcionários da MKS, 180 são filhos de Sirinhaém ou cidades vizinhas que foram treinados pela própria empresa, através do Senai. A fábrica funciona desde abril e atende aos empreendimentos de Suape, como a Refinaria Abreu e Lima e o complexo petroquímico. “Fizemos uma pesquisa e detectamos que a mão de obra local não era qualificada, mas percebemos que havia um potencial. Decidimos apostar”, justifica o presidente da MCE, Gildo Machado.

Para o prefeito de Sirinhaém, Fernando Urquiza, a inclusão do município no Território Estratégico de Suape foi fundamental. “A Zona da Mata só tinha perspectiva na cana de açúcar, e agora tem a indústria”, comemorou. “Estamos fazendo Suape desembarcar na Mata Sul. Onde esses empreendimentos chegam vão mudando as relações de trabalho”, disse o governador Eduardo Campos.

DIARIO DE PERNAMBUCO

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