/ Por Andrielle Mendes /

"Sonhe grande. Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno", afirma Rafael Duton, fundador da Movile e da aceleradora de negócios digitais 21212. Tiago Melo, 32 anos, doutor em Gestão de Negócios, não duvida disso, e replica em Natal um modelo semelhante ao adotado por gigantes como Facebook, Google e Peixe Urbano – antigas startups (empresas  iniciantes com grandes chances de sucesso), como a empresa dele, a de1a5, lançada na última sexta-feira. São empresas como essas, com atividades ligadas à pesquisa e desenvolvimento de ideias inovadoras, que estão por trás da expansão dos "e-commerce", no Brasil e no mundo.

A crescente penetração dos computadores nos lares ajuda  a transformar a internet num ambiente de negócios cada vez mais promissor, diz Ivanilton Passos, analista sênior e diretor de Disseminação de Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no RN (IBGE).

No Rio Grande do Norte, o número de computadores saltou 529,3% nos últimos dez anos e despertou o interesse de empreendedores como Weinberg Souza, 26 anos, diretor da Associação Brasileira de Startups no RN, que montou uma ‘empresa de internet’ no início do ano. "As pessoas passam cada vez mais tempo conectadas", justifica. Na avaliação de Weinberg, que fundou o grupo Startup RN e também é professor dos cursos de Sistema de Informação e Engenharia da Computação da Universidade Potiguar (UNP), a forma de fazer negócios está evoluindo junto com  a internet.

O valor movimentado pelo comércio eletrônico no país não para de subir. Em 2011, o e-commerce movimentou R$ 18,7 bilhões – volume 26% maior que o registrado em 2010, de acordo com estudo realizado pela e-bit. A expectativa é que o valor chegue a R$ 23,4 bilhões em 2012, um incremento de 25% em relação a 2011. Segundo o levantamento, nove milhões de pessoas passaram a fazer compras pela internet em 2011. O número chegava a 23 milhões em 2010. O crescimento do Peixe Urbano  – primeira ‘empresa de internet’ a desbravar o mercado de compras coletivas no Brasil – ilustra bem a situação. Em dois anos e meio, a empresa conquistou mais de 20 milhões de usuários no Brasil.

O momento é favorável aos negócios voltados ao comércio eletrônico e a internet, corrobora Letícia Leite, diretora de Comunicação Corporativa do Peixe Urbano. O apreço dos internautas brasileiros pelas redes sociais e a popularização da banda larga e da internet móvel ampliam as oportunidades nos segmentos de tecnologia e internet no país. Segundo reportagem publicada na Isto É Dinheiro, a pujança da economia, a ascensão da nova classe média, a pequena competição no setor digital e a crise internacional tornaram o Brasil o novo paraíso das startups.

Em Natal, já são 18 – a maioria usa a internet para validar produtos e serviços e atingir escala, como a Central de Antecipação, de Weinberg, que marca consultas médicas pela internet, ou a de1a5, de Tiago, que troca informações por descontos em bares e restaurantes. Os dois escolheram a internet por uma razão simples.

"Essa é a forma mais fácil de conquistar usuários e construir um modelo escalável", explica Weinberg. "As redes sociais ajudam a viralizar as boas ideias", acrescenta Letícia Leite, do Peixe Urbano. No Brasil, já são seis mil startups, segundo dados da Associação Brasileira de startups. A maioria está em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A previsão é que o número aumente. Só não se sabe ainda em quanto.

Avanço

De acordo com levantamento realizado pelo T-Index 2015, o Brasil terá um aumento de 43,3% no e-commerce mundial em 2015, ocupando a quarta colocação no ranking. Em janeiro de 2012, o país era o sétimo maior mercado do setor no mundo, com 3% de participação, atrás de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Reino Unido e França. Segundo a projeção, o avanço brasileiro acontecerá em especial pela crise econômica sofrida pelos países no topo da lista. A projeção foi desenvolvida a partir de um suposto crescimento linear dos países, com base no aumento dos últimos anos. De acordo com o levantamento, no ano em questão, a China terá 18,8% de market share, ante os 11,5% atuais. Em contrapartida, os Estados Unidos cairão dos 24,4% para 16,8%. Entre os outros colocados, o Japão manterá a terceira posição com 4,9% do mercado; a Alemanha, com 4,1%; e o Reino Unido, com 2,7%; e a França terá 3,3%, segundo o levantamento.

TRIBUNA DO NORTE

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