O legado da Campus Party

Entre 26 e 30 de julho, o Estado sediará um dos mais relevantes eventos na área de TI. É a hora de tentar vender sua ideia

Raissa Ebrahim

“Quem chega por último pode terminar chegando primeiro. Algumas vezes são as dificuldades que movem as soluções”. A frase do diretor geral da Futura Networks (empresa organizadora da Campus Party), Mario Teza, mostra o clima de entusiasmo para a primeira edição do evento fora de São Paulo em solo brasileiro. Entre 26 e 30 de julho, Pernambuco receberá, no Centro de Convenções e no Chevrolet Hall, em Olinda, 2 mil “campuseiros” e outros milhares de curiosos em busca de novidades sobre o mundo da tecnologia, inovação, ciência, entretenimento e cultura digital.

“A capital pernambucana tem se mostrado um grande polo de tecnologia da informação. Tem atraído olhares de inúmeros investidores e organizações. Muitos deles de grande porte e referência internacional. Eles notam que o pessoal da região tem um jeito diferente, capaz de perceber uma iniciativa e resolver problemas de maneira especial, pessoal, que cria laços, parcerias e vai além da simples troca de negócios. As startups locais têm mostrado que nem sempre problemas como falta de infraestrutura e gap de mão de obra são fatores de entrave”, analisa Teza.

Criada na Espanha em 1997, a Campus Party transformou-se num grande acontecimento mundial. Em 2008, a Futura Networks iniciou seu processo de internacionalização ao promover versões no Brasil, na Colômbia e no México.

Este ano, Peru e Alemanha também foram adicionados à lista e Equador receberá sua segunda edição.

Por aqui serão debatidos temas que vão do empreendedorismo à inovação, passando por sustentabilidade e inclusão digital. Estarão presentes grandes nomes como o chileno Julián Ugarte, fundador da ONG Teto, o sueco Rick Falkvinge, idealizador do Partido Pirata, o americano Mike Comberiate, da Nasa, entre vários outros.Tanto os ingressos quanto as vagas para acampar já estão esgotados. Mas Teza adiantou que ainda podem vir novidades por aí. A Futura está finalizando alguns acertos e, na próxima semana, deve anunciar mais nomes. São empresas e investidores que ainda nem pisaram em São Paulo, mas foram atraídos para o Recife em busca de cérebros recheados de novas ideias.

“É interessante notar como os nerds e geeks da região conseguem gostar de tecnologia, game, futebol, música. Tudo ao mesmo tempo e com um grande orgulho pela cultura local, por Chico Science, pelo maracatu. Essa miscelânea permite que as soluções técnicas tenham uma proximidade maior com o dia a dia, transportando a tecnologia para o seu verdadeiro fim, que é transformar as pessoas e agregar funções”, diz o diretor. Todas as informações sobre a edição Recife estão no www.recife.campus-party.org.

Investidores, nerds e 60 mil visitantes

A Campus Party Recife exigiu o esforço de mais de 300 organizadores. Gente do Brasil, México, Espanha, Colômbia e Argentina. O valor do investimento ultrapassa R$ 10 milhões. A organização espera um público de 60 mil pessoas nos cinco dias de evento. Serão 2 mil campuseiros, do quais 800 ficarão acampados. Os ingressos (esgotados) custaram R$ 200, cada.

Haverá três grandes espaços. A Arena, onde serão trocadas experiências profissionais e de vida 24 horas por dia. O Camping, onde ficará o mar de barracas para descanso. E a Zona Expo, local onde as marcas irão oferecer a chance de experimentar novidades e conhecer produtos e tendências, além de atividades de inclusão digital.

Além disso, haverá quatro cenários principais, homenageando grandes personagens da história. O Pitágoras, com temas como desenvolvimento, sistemas operacionais, software livre, segurança e redes. O Galileu, com destaque para robótica, modding e hardware, astronomia, nanotecnologia, biotecnologia, hacking e biohacking. O Michelangelo, com música, design, fotografia, vídeo, mídias sociais e a blogosfera. E, por último, o Stadium, dedicado ao mundo dos games.

Estado herdará rede de dados moderna

O raio de atuação tecnológica da Campus Party no Recife não ficará restrito apenas aos cinco dias do evento. Uma grande obra de engenharia precisou ser feita para dar suporte à festa, já que não existia uma infraestrutura de telecomunicação capaz de aguentar tanta velocidade e manter milhares de pessoas conectadas. “Tudo isso pode ficar para a região depois”, enfatiza o diretor geral da Futura Networks, Mario Teza. Maior prova disso é que os participantes estarão conectados pela mais nova versão do protocolo IP, o IPv6, com o apoio da Telefônica.

O IP é basicamente o protocolo utilizado por todas as máquinas ligadas à internet e que possibilita o intercâmbio de dados. Entre as vantagens da versão 6 estão melhor aproveitamento de banda larga, maior capacidade de autenticação e confidencialidade, que permite melhor controle de dados, sistema de segurança intrínseco, simplicidade de roteamento. Assim, segundo os organizadores, abre-se uma oportunidade para os desenvolvedores de software, que terão um universo novo para trabalhar. Aplicativos específicos poderão ser desenvolvidos, como apps para o manejo de hexadecimais, sites web www6, softwares de segurança e de rede etc.

Quem tem uma ideia ou até quem já abriu um pequeno negócio terá oportunidade de conhecer empresários e investidores e apresentar seu negócio. A intenção da Campus MeetUp é fazer com que os empreendedores encontrem investidor anjo, aumentem networking e mostrem seus projetos.

A startup local Mobiclub é prova do valor que a festa pode agregar aos negócios. O grupo da Universidade Federal de Pernambuco desenvolveu um aplicativo para iPhone e Android capaz de promover interação entre restaurantes e clientes, que, acumulando pontos, podem ganhar prêmios.Segundo Tiago Canto, um dos idealizadores, a Campus 2011 foi fundamental. “Nosso projeto foi escolhido numa competição junto com outros 14 entre 300. Além de um incentivo financeiro, agregamos conhecimento”, conta.

O MeetUp estará dividido em duas frentes: Geeks on Campus e Campus Beta. Na primeira, ao longo de duas horas, 18 startups terão a oportunidade de ficar cara-a-cara com um investidor e fazer um pitch rápido (5 minutos) sobre sua ideia. Já a segunda irá apresentar ao mercado as startups da região.

JORNAL DO COMMERCIO

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