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Um trabalho do economista Rogério Cesar de Souza, intitulado Na Era da Produtividade o Brasil Precisa Acelerar o Passo, publicado pelo Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (IEDI), acompanhou a chamada produtividade total dos fatores em 100 países nas últimas seis décadas.

O Brasil aparece na 11ª colocação com uma evolução média anual da produtividade de 1,33% no período como um todo, tendo apresentado bons índices nos anos 1950 e 1960 (1,60% e 1,74%, respectivamente) e, sobretudo, nos anos 1970 (2,13%), período no qual a economia mais se industrializou.

Para quem ainda não sabe, industrialização e produtividade caminham de mãos dadas.

No período mais recente (2001-2009), após fracos resultados nas duas décadas anteriores, especialmente na chamada “década perdida” de 1980 (0,35% e 1,16%, respectivamente nos anos 1980 e 1990), o Brasil passou a colher os frutos da ampliação do mercado interno consumidor, da maior evolução industrial e de uma mais profunda industrialização no campo e nos serviços.

O crescimento médio nesse período chegou a 1,32%. Cabe notar que mesmo tendo melhorado, 18 países obtiveram marcas superiores ao índice brasileiro.

A conclusão geral do estudo é que após a segunda guerra mundial o Brasil teve algum destaque no contexto mundial, em especial, nas três primeiras décadas desse período. Contudo, nessa matéria ter “algum destaque” no cenário internacional não basta para que um país transite da condição de subdesenvolvimento para a de economia desenvolvida.

Certas experiências evidenciam este fato. Mesmo países com anterior progresso em seu desenvolvimento econômico, a exemplo dos Estados Unidos e países europeus, no após guerra os importantes ganhos de produtividade serviram para consolidar e ampliar o progresso previamente alcançado.

A produtividade americana aumentou significativamente em todo o período, superando em muito o Brasil (exceção para a década de 1970). No caso dos países europeus, estes aproveitaram o dinamismo econômico das décadas de 1950 e 1960 para obterem avanços acentuados, como nos casos de França, Itália e Espanha.

Outro “modelo” reúne evolução da produtividade em menor intensidade (porém, ainda assim significativa) e alta regularidade nesta evolução, incluindo Alemanha, Finlândia, Noruega e Canadá.

Para alguns outros países, explosões de produtividade concorreram para a conquista do desenvolvimento no espaço de algumas décadas. Foi principalmente o caso do Japão durante os quarenta anos que vão de 1951 a 1990 e em escala menor, da Coreia do Sul (nos anos 1960, 1980 e 1990). Este “modelo” notabiliza ainda o mais recente fenômeno industrial que é a China.

Nesse caso, taxas próximas a 4% ao ano vêm prevalecendo nas três últimas décadas.

No Brasil, nem houve explosão (exceção somente para a década de 1970), nem a produtividade manteve um regular e favorável curso. Ampliar e dar maior regularidade à produtividade permitiria alcançar mais rapidamente o desenvolvimento. Uma reindustrialização do país colaboraria enormemente para isso.

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Julio Gomes de Almeida é ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e professor da Unicamp

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