Jacques Waller

Um debate sobre o papel da tecnologia na luta pela defesa do meio ambiente, no navio do Greenpeace Rainbow Warrior III, pode ter sido o pontapé inicial para a criação de um datacenter no interior do Estado. Os centros de processamento de dados e a computação em nuvem estiveram presentes em todas as palestras, desde a ministrada pelo secretário de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, até a do diretor da empresa especializada em projetos na área de energia Multiempreendimentos, Pedro Cavalcanti. Mas foi logo após a exposição do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) sobre sua startup focada em cloud computing, a Usto.re, que a semente foi plantada.
É que na plateia estava o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Roberto Abreu. Ele procurou o diretor-executivo do Cesar, Sergio Cavalcante, para marcar uma conversa sobre as possibilidades de implantação de um datacenter no interior do Estado. “Estamos atentos a esta possibilidade. Queremos iniciar uma conversa com o Cesar para estudar quais as chances de um datacenter aqui se tornar realidade”, comentou.
Momentos antes, Sérgio Cavalcante dizia que o Cesar, apesar de ter entrado no ramo da computação em nuvem, ainda não está direcionando seus esforços em oferta e gerenciamento de datacenters. “Estamos conversando sobre isso. Não estamos mirando neste mercado ainda. O que fizemos foi desenvolver uma tecnologia que culminou na criação de uma empresa”, diz Sérgio, referindo-se à Usto.re.
Um dos responsáveis por essa nova unidade de negócios do Cesar, Rodrigo Assad, disse na sua palestra que “o interior do Estado tem plenas condições de abrigar um datacenter”, nos mesmos moldes da Amazon e do Google. “Só que ainda é muito caro. Para ter um negócio desse tipo é preciso superar um problema fiscal”, disse.
EÓLICA E SOLAR
A conversa sobre processamento e armazenamento de dados na internet correu em paralelo à questão energética. Segundo Pedro Cavalcanti, cuja empresa trabalha com companhias que desenvolvem turbinas eólicas, o Brasil deverá ser um dos maiores produtores no mundo de eletricidade a partir do vento até 2020. “Hoje, nós já disputamos leilões de energia com hidrelétricas. A energia eólica já tem viabilidade econômica e escala de mercado”, destaca Pedro, lembrando que energias limpas, como a solar, ainda necessitam de incentivos.
Quem visitou o Rainbow Warrior III, que esteve atracado no porto, no Bairro do Recife, até o último domingo, pôde conferir soluções que os tripulantes usam para viver no mar sem impactar o meio ambiente. Um dos mais curiosos era um fogão alimentado pelo calor do Sol. A energia concentrada nos espelhos da base é usada para ferver alimentos. O Rainbow Warrior III foi o primeiro navio projetado e fabricado pelo Greenpeace. Seu destino final é o Rio+20, que ocorre entre os próximos dias 13 e 22, no Rio.
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