A Lenovo Group Ltd., fabricante chinesa de computadores, está interessada em fazer aquisições no Brasil, buscando aumentar sua participação nos principais mercados emergentes fora da China, onde já é a maior fornecedora de PCs em volume de vendas.
A segunda maior fabricante mundial de computadores, atrás da Hewlett-Packard Co., também estuda um plano para criar uma base de produção no Brasil e fabricar os PCs localmente, evitando as altas tarifas de importação, disse ao The Wall Street Journal o presidente da Lenovo para Ásia, Oceania e América Latina, Milko Van Duijl.
“Estamos interessados em adquirir ou cooperar com todos as empresas atuantes [no Brasil], mas não destacamos nenhuma delas” quanto a aquisições, disse Van Duijl.
Ele também disse que a empresa não pode ser competitiva no Brasil sem uma base local de fabricação. “Quando você tem que somar [impostos] ao custo no negócio de PCs, onde as margens são muito pequenas, não há a menor chance de sucesso.”
Os comentários do executivo coincidem com o aumento das preocupações sobre uma desaceleração do crescimento econômico na China. A Lenovo, a maior fabricante de PCs no mercado chinês, com uma fatia de 30%, tem redobrado seus esforços para expandir-se em outros mercados emergentes, como Índia, Indonésia, Brasil, Argentina e México, onde a demanda deverá crescer entre os que vão comprar um PC pela primeira vez.
A Lenovo afirmou que se tornou pela primeira vez a marca de PC número 1 da Índia no trimestre terminado em março, conquistando 15,8% do mercado. A empresa vê espaço para crescimento na América Latina, onde a sua presença continua sendo relativamente pequena. No Brasil, a marca Lenovo está em 9o lugar, com uma fatia de mercado de 3,6% no final de março, e atualmente opera no vermelho.
Van Duijl notou que o Brasil recentemente ultrapassou o Japão como terceiro maior mercado mundial de PCs em volume de vendas, depois da China e dos Estados Unidos.
A Lenovo vem superando suas concorrentes no mercado global de microcomputadores, embora a demanda pelos PCs tradicionais, de mesa, tenha ficado para trás com a crescente popularidade dos dispositivos móveis para internet, como smartphones e tablets. As vendas de PCs da Lenovo na China aumentaram 23% no trimestre, enquanto em outros mercados emergentes elas subiram 50%. Apesar do clima macroeconômico difícil, as vendas mundiais de PCs da empresa subiram 44% no trimestre encerrado em 31 de março, em comparação com 5% de crescimento no setor como um todo.
No mesmo trimestre, o lucro líquido da Lenovo subiu 59% em relação a um ano antes, para US$ 67 milhões, enquanto a receita aumentou 54%, para US$ 7,5 bilhões, em um claro contraste com a queda nos lucros das rivais americanas HP e Dell Inc.
Nos últimos anos, a Lenovo, que adquiriu a divisão de PCs da International Business Machines Corp. em 2005, cresceu por meio de aquisições. Ela assumiu o controle ano passado da divisão de PCs da japonesa NEC Corp., adquirindo uma participação de 51% na sociedade por US$ 175 milhões. A fatia de mercado da Lenovo no Japão, incluindo a parcela da joint venture com a NEC, foi de 25,2% no trimestre terminado em março, contra menos de 10% antes da aliança com a NEC.
No ano passado, a Lenovo comprou também uma participação majoritária na alemã Medion AG, fabricante de computadores e eletrônicos de consumo, num negócio em dinheiro e ações avaliado em até 465 milhões de euros (US$ 582 milhões).
Embora buscar o crescimento sem fazer aquisições continue a ser uma opção no Brasil, “leva mais tempo para construir tudo isso”, disse Van Duijl. “Especialmente nesse tipo de mercado, é preciso resolver se você vai fazer as coisas sozinho ou com outros.”
Van Duijl disse que a Lenovo vai continuar a se concentrar basicamente nos PCs para crescer em mercados emergentes como o Brasil, apesar de a empresa ter diversificado suas ofertas na China, vendendo smartphones, tablets e televisores “inteligentes”, com recursos de internet. A Lenovo planeja gastar cerca de US$ 800 milhões em uma nova fábrica na cidade de Wuhan, na China central, para desenvolver e produzir smartphones e tablets.
Nessas novas categorias de produtos, “acreditamos que precisamos primeiro ser a marca número 1 na China”, disse Van Duijl. Ele acrescentou que a Lenovo pode conseguir isso alavancando o valor da sua marca e a sua reputação no mercado chinês.
“Quando isso vai bem, você pode levar os produtos para fora da China com um índice de sucesso muito maior.”
Valor Econômico

