A primeira usina brasileira de etanol de segunda geração do país, produzido a partir da biomassa de cana-de-açúcar, deve iniciar produção até dezembro do ano que vem.

Investimento de R$ 300 milhões da família Gradin, a planta da GraalBio terá capacidade de produção de 82 milhões de litros de etanol celulósico por ano.

O investimento é uma parceria com a italiana Beta Renewables, que em setembro inaugura a primeira planta de etanol celulósico do mundo, em Crescentino, na Itália. A tecnologia desenvolvida pela empresa italiana permite converter qualquer tipo de biomassa em etanol.

A planta da GraalBio, em Alagoas, será a primeira de etanol celulósico do hemisfério Sul. Os EUA também estão avançados nessa corrida tecnológica e devem inaugurar as primeiras plantas de etanol de resíduo do milho no ano que vem.

Para produzir um etanol celulósico com uma produtividade três vezes superior ao da cana comum, a GraalBio está desenvolvendo uma nova variedade, a Cana Energia, em parceria com a Unicamp.

Até o fim do ano, 100 mil sementes da nova variedade devem ser plantadas, das quais 40 mil serão selecionadas. A primeira colheita industrial está prevista para 2015. Até lá, serão usadas sobras de palha e bagaço de usinas de Alagoas.

CAMPINAS

O projeto prevê ainda a construção, em Campinas, de um centro de pesquisas para o desenvolvimento de leveduras e uma planta piloto para o desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias de etanol celulósico e alternativas bioquímicas.

"Nossa missão é obter a biomassa mais competitiva do mundo", diz Bernardo Gradin, fundador e presidente da GraalBio. "O Brasil pode se tornar uma Arábia Saudita verde."

Gradin afirma que o investimento pode chegar a R$ 1 bilhão e contemplará outras quatro usinas. "Vamos anunciar as novas plantas na medida em que tivermos contratos."

Além do etanol, no futuro a GraalBio pretende produzir bioquímicos para a indústria de plásticos.

A ideia inicial é exportar para os EUA, que pagam um sobrepreço para o etanol celulósico de forma a estimular o seu desenvolvimento. Enquanto o litro no Brasil custa US$ 0,68, não importa a matéria-prima de origem do etanol, os EUA pagam US$ 1,04 pelo litro do etanol celulósico.

Para Gradin, a maior produtividade pode ajudar a reduzir o déficit do setor. No ano passado, o Brasil importou 1 bilhão de litros de etanol dos EUA.

PETRÓLEO

O lançamento do projeto nesta quarta-feira em São Paulo contou com a presença do ministro do Meio Ambiente da Itália, Corrado Clini, que também preside a Global BioEnergy Partnership. O fórum reúne 55 países, mais organismos multilaterais e tem como meta reduzir a dependência do petróleo.

"O etanol celulósico resolve o conflito com a segurança alimentar pois não é produzido a partir de alimentos", disse Clini.

O projeto da GraalBio deverá contar com apoio do PAISS, programa do BNDES e da Finep de apoio à inovação tecnológica para a produção de energia e bioquímica a partir da cana. O programa foi lançado em março do ano passado com a meta de investir R$ 1 bilhão, mas diante da demanda, o valor subiu para R$ 3,1 bilhões.

Foram inscritos 57 projetos, dos quais 35 foram selecionados. Os projetos ainda estão sob análise e o banco poderá financiar até 70%. Juntos, os programas preveem a construção de 12 plantas pilotos e 7 plantas industriais.

"O programa é um salto quantitativo e esperamos que ajude a colocar o Brasil na fronteira da produção eficiente de biocombustíveis e de bioquímicos", afirmou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

FOLHA.COM

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