De sucata a negócio rentável

CONTÊINERES Estruturas metálicas, antes reservadas às áreas portuárias, agora abrigam escritórios, almoxarifados, lojas, casas e hotéis

Antes reservados às áreas portuárias para armazenamento e transporte de carga, os contêineres estão ganhando uma nova dimensão. O que viraria sucata depois de anos de uso, tem-se transformado num negócio rentável e mais barato que as tradicionais edificações de concreto. As estruturas metálicas estão virando escritórios, almoxarifados, lojas, banheiros, consultórios e até casas e hotéis. A tendência já se firmou nos Estados Unidos e Europa e agora chega com mais força ao Brasil.

Até o fim do ano, o bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, ganhará um hotel bem diferente, que mais vai parecer uma brincadeira com peças de lego, mas será uma hospedagem de oito andares construída com 180 contêineres empilhados. O investimento é de R$ 6,5 milhões, e a previsão de inauguração é para novembro ou dezembro. O endereço exato ainda é segredo. Será a primeira experiência do tipo no Brasil, uma iniciativa da empresa gaúcha Container Ecology – a mesma que se prepara para abrir sua terceira franquia de roupas multimarcas dentro de um contêiner, com a marca Container Ecology Store. Os contêineres laranjas, inconfundíveis, já estão presentes no bairros das Graças, na Zona Norte, e em Boa Viagem. Agora as empresárias Amanda Gundes e Maria Augusta Moura se preparam para abrir a franquia também em Candeias, Jaboatão dos Guararapes.

O diretor da Container, André Krai, conta que a ideia surgiu “bem sem querer”. “Sempre trabalhei com moda e varejo, tinha o desejo de abrir meu próprio negócio, mas esbarrava na questão do custo e da sustentabilidade. Numa visita a Cingapura, tive a oportunidade de conhecer uma loja móvel e resolvi adaptar para contêineres quando voltei para o Brasil”.

Hoje a marca já está com 63 lojas abertas e pretende inaugurar mais 50 em 2012. Segundo Krai, a economia chega a ser de 500 cortes de árvores por loja. Dentro, a estrutura é 80% reciclada, incluindo piso, araras e pufes.

Aproveitando o leque de oportunidades e a demanda crescente, empresários locais abriram, há seis meses, a Bravo Equipamentos, especializada em reciclar contêineres e disponibilizá-los para aluguel, com valores a a partir de R$ 600. A maior parte da demanda é para Recife e Suape. Futuramente, também será para Goiana. “A grande vantagem do negócio é que, além da economia e da preservação do meio ambiente, você consegue fazer toda a instalação para escritórios, banheiros, almoxarifados de forma quase imediata”, comenta o diretor comercial, Sylvio Romero Jr. Ele lembra ainda que não basta deixar o contêiner com uma boa aparência. “É preciso obedecer a normas térmicas, hidráulicas, elétricas, de revestimento, aterramento, radiação.”

Outro exemplo é a curitibana Agisa, com filial no Estado e que tem capacidade para construir de escolas e residências a áreas de vivência completas. Ela prepara tudo de acordo com a vontade do cliente. Ao contrário dos demais, não faz trabalho de reciclagem, e, sim, constrói as estruturas do zero.

Raissa Ebrahim / JORNAL DO COMMERCIO

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