Crescem as vendas de móveis em Pernambuco

Aumento de 154% nos últimos 9 anos foi motivado pela elevação da renda e do crédito habitacional

O consumo de móveis no Estado cresceu 154% nos últimos nove anos, o que significa uma média de 17% ao ano, segundo levantamento feito pelo Sindicato da Indústria de Móveis de Pernambuco (Sindmóveis). O crescimento da produção ocorreu com o barateamento dos móveis, porque o aumento do consumo foi puxado pela classe C e aumentou a concorrência com empresas de fora se instalando no Estado. Também aumentou o uso da tecnologia para baratear os móveis.

Instalada em Prazeres às margens da BR-101, a fábrica da Movene parece, à primeira vista, um galpão. Lá dentro, máquinas modernas – incluindo equipamentos importados –, fazem, de forma automatizada, rackers, estantes, mesas de computador e centros, entre outros. O crescimento acelerado das vendas fez empresa iniciar “há alguns anos” um processo de modernização, comprando equipamentos de última geração. Lá, os painéis das máquinas são digitais e o corte das peças completamente automatizado.

No ano passado, a Movene registrou um crescimento de 30% nas vendas e precisou de um terceiro turno de operários para dar conta das encomendas. “Em 2012, não será preciso, porque importamos uma máquina italiana que fará esse serviço e ainda vai propiciar um aumento da produtividade em 20%”, conta o diretor da Movene, José Carlos Campos da Silva.

Com uma produção de 5 mil peças por mês, a Movene direciona 100% do que fabrica para o público classe C. “É um nicho de mercado que cresceu muito”, diz José Carlos, que começou a trabalhar, aos 8 anos de idade, na marcenaria do seu pai, no fundo do quintal da sua residência.

Hoje, a fábrica de José Carlos emprega 48 pessoas e apresenta um faturamento anual de R$ 4 milhões. “Há 10 anos, empregava 50% do pessoal que tenho hoje, enquanto a produção muito mais do que dobrou”, comenta. A quantidade de trabalhadores não aumentou no mesmo ritmo da produção devido à automação da produção.

O boom do setor de móveis é causado por vários fatores. “O acesso mais fácil à moradia, o aumento real do salário mínimo e dos salários em geral estão fazendo com que as pessoas se mudem e comprem móveis novos”, explica o presidente do Sindmóveis-PE, Vikentios Kakakis. Ele argumentou que esses fatores aumentaram o consumo da Classe C, compradora de 76% dos móveis feitos no Estado.

Também voltada para o público classe C, a empresa Estofados Cesar e Colchões Anatômicos experimentou um crescimento de 30% nas vendas em 2011. A empresa produz estofados, colchões e cama box e planeja investir R$ 350 mil em 2012 com recursos próprios. “Isso inclui melhorias em gestão, qualificação e equipamentos”, afirma o diretor da empresa de estofados, Elias Correia Cesar, que trabalhou “muitos anos” como funcionário de uma fábrica de móveis.

Há mais de 20 anos, Cesar decidiu abrir uma fábrica e hoje emprega 160 funcionários. A produção da empresa é consumida em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. “Num futuro próximo, estamos planejando abrir uma fábrica nova em Fortaleza para atender a expansão do mercado que continua crescendo”, revela.

Tecnologia barateia produtos

 Para baratear os seus custos, algumas empresas do setor de móveis compraram equipamentos que são monitorados remotamente, por técnicos, que estão literalmente em outro continente. “Quando o defeito é pequeno, como um problema no software, a gente conserta por aqui mesmo”, diz o diretor da Movene, José Carlos Campos da Silva, se referindo a uma máquina italiana usada para fazer os acabamentos dos móveis.

Caso o reparo da máquina seja mais complexo e não consiga ser resolvido localmente, um funcionário da empresa liga o sistema da máquina na internet e o conserto é feito pelo funcionário que trabalha para o fabricante do equipamento, na cidade de Piene, na Itália. “Há alguns anos, a gente não imaginava que isso fosse acontecer, mas essa nova forma de trabalhar veio para ficar”, conta José Carlos. O equipamento faz a colagem das bordas dos móveis fabricados na empresa.

A empresa planeja fazer um investimento de R$ 6 milhões para sair do Bairro de Prazeres, em Jaboatão, e ir para o polo moveleiro de Pombos, na Zona da Mata. “Há dois anos, não posso crescer mais por falta de espaço”, comenta José Carlos.

“O mercado está muito competitivo. Na concorrência com Suape, estamos perdendo mão de obra”, acrescenta. A dificuldade também é sentida pelo diretor da Estofados Cesar e Colchões Anatômicos, o empresário Elias Correia Cesar. “Sinto dificuldade de contratar pessoas qualificadas, que não existem no mercado. Não tem uma escola que prepare esse trabalhador”, lamenta.Ele cita como exemplo os cargos de colchoeiro e estofador. “A qualificação deles é dentro da empresa. Primeiro, eles são contratados como ajudantes e depois de seis meses de treinamento passam a responder pela nova função”, diz.

A Estofados Cesar fabrica 600 peças por dia. Ao comparar a produção de 2012, com a de 2002, o empresário diz que ocorreu um aumento de 200% na produção. “O que me ajudou muito a crescer foi a consultoria dada pelo Sebrae”, acrescenta. Para 2012, a expectativa de crescimento é de 10% a 15%. “A crise não chegou por aqui”, garante Cesar. Mesmo sentimento de várias empresas do setor moveleiro.

Angela Fernanda Belfort / JORNAL DO COMMERCIO

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