Empresas investem em biogás

PLANTA Grupos de Pernambuco e da Bahia investiram R$ 15 milhões para criar combustível a partir da vinhaça, subproduto da cana
O grupo pernambucano JB e a empresa baiana Cetrel inauguraram, ontem, a primeira planta industrial que produz biogás a partir da vinhaça, um subproduto gerado na fabricação do álcool. No País, é a primeira vez que essa tecnologia é usada em escala industrial. Inteiro, o projeto gerou um investimento de R$ 15 milhões, dos quais R$ 6 milhões foram empregados nas instalações novas da Companhia Alcoolquímica Nacional, usina do JB, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata. No local, também está sendo implantado uma planta piloto para ver a viabilidade econômica do bagaço da cana-de-açúcar ser utilizado como matéria-prima para o biogás.Atualmente, a vinhaça é usada para fazer a fertilização do canavial. Inicialmente, será usada 20% da vinhaça da usina da JB, o que significa 1 milhão de litros por dia durante a safra. Isso será transformado em 600 megawatts-hora (MWh) por mês de energia, quantia suficiente para abastecer a cidade de São Vicente Ferrer – também na Zona da Mata –, que tem 18 mil habitantes.

Na fabricação do gás, a vinhaça é colocada num biodigestor com algumas bactérias que fazem com que uma parte do produto vire combustível. Depois disso, o biogás é colocado num motor para gerar energia, a qual entra na rede de distribuição.

O produto também é benéfico ao meio ambiente porque vai extrair o metano existente na vinhaça que será transformado em biogás e queimado para gerar energia. Após a fabricação do gás, a vinhaça volta ao campo para ser usada na adubação. “A vinhaça não perde suas propriedades de fertilização depois de ser usada na fabricação de gás”, resume a gerente de área de bioenergia da Cetrel, Suzana Domingues.

“Estamos agregando energias limpas. A Cetrel nos procurou e achamos um projeto interessante”, comenta o presidente do Grupo JB, Carlos Beltrão. O modelo de negócios do projeto foi interessante para a empresa. Os recursos empregados saíram da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que entrou com 50% e a outra metade, bancada pela Cetrel. “A JB entrou com a matéria-prima e vai receber uma parte da venda de energia”, explica o presidente da Cetrel, Ney Silva. A energia do projeto pode ser vendida por R$ 130, o MWh.

O projeto implantado na JB pode crescer até cinco vezes mais num horizonte de três anos, segundo Suzana Domingues. “A nossa expectativa é que a partir da primeira safra comecem as ampliações”, conta.

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Vinhaça tem potencial elevado

 O potencial de geração de energia a partir da vinhaça é muito alto. “Na safra 2010/2011, foram produzidos, em todo o País, 25 bilhões de litros de álcool, o que corresponde a geração de cerca de 300 bilhões de litros de vinhaça. Este volume seria suficiente para gerar cerca de 1,6 mil megawatts (MW)”, diz a gerente de bioenergia da Cetrel, Suzana Domingues. Essa quantidade significa a metade da geração da Usina de Jirau, que está sendo construída no Norte do País.

Para Suzana, qualquer empresa do setor poderá produzir o biogás a partir da vinhaça. O projeto implantado na JB também tem uma experiência piloto que vai usar o bagaço da cana-de-açúcar para produzir biogás.

Na fabricação do biogás a partir do bagaço, a Cetrel fez uma parceria com a multinacional Novozymes – que tem uma unidade no Paraná – para o fornecimento das enzimas que vão ajudar a obter o combustível.

O bagaço usado para fazer o biogás vai sair molhado do processo industrial. Depois de seco, ele poderá ser queimado para fabricar energia, o que a maioria das usinas faz atualmente. Isso significa que a mesma matéria-prima vai poder ser usada duas vezes.

Instalada no polo petroquímico de Camaçari, a Cetrel é especializada no tratamento de resíduos e a sua principal controladora, com 54% das ações, é a Braskem, do Grupo Odebrecht.

Antes de implantar a geração de biogás da JB, a Cetrel fez um projeto piloto na Usina Japungu, na Paraíba, em 2011. A empresa começou a pesquisar a produção de gás com subprodutos sucroalcooleiros há três anos com o apoio da Finep.

Já o Grupo JB é uma empresa familiar que tem duas usinas, uma em Pernambuco e outra no Espírito Santo, processando 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Nas usinas, a companhia tem duas térmicas – que usam o bagaço da cana-de-açúcar como matéria-prima. Além da energia, fabrica álcool destinado a bebidas e gás carbônico para fins alimentícios.

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