Cérebros made in Pernambuco

Sotaque pernambucano entre funcionários é comum em empresas como Google, Facebook, além da Microsoft

Não é de hoje que multinacionais da área de tecnologia da informação vêm a Pernambuco caçar talentos. Há cerca de cinco anos, os pernambucanos já significavam 10% do total de brasileiros que trabalhavam na sede da Microsoft, em Seattle, nos Estados Unidos. Eram 25 pessoas. Hoje, entre 50 e 60 ex-alunos do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn/UFPE) trabalham não apenas na Microsoft como também nas empresas Google e Facebook.

Reconhecido como um celeiro de talentos, o CIn gerou o embrião do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.) e se transformou em um exportador de cérebros para estados do Centro-Sul do país e para o exterior. “Isso não deixa de ser um reconhecimento da nossa competência. A seleção dessas empresas costuma ser muito rígida e se nossos alunos são aprovados é uma mostra de que são muito capacitados”, comemora André Santos, vice-diretor do CIn.
Em agosto de 2007, Mariano Teixeira, então com 29 anos, falou ao Diario quando estava de malas prontas para Seattle. Graduado e mestre em ciência da computação, Mariano trabalha para a Microsoft desde outubro daquele ano como software design engineer in test. “Meu trabalho é fazer programas que testam os produtos do meu time. Sou pago para quebrar o software antes que outros o façam, para que a gente conserte antes de lançar”, descreve, em uma entrevista por e-mail.

Mariano, hoje com 33 anos, diz que ficou muito feliz por ter sido selecionado, pela perspectiva de trabalhar em coisas que exigissem o conhecimento que adquiriu na universidade e pela oportunidade de morar fora do país por um tempo. “Antes da Microsoft trabalhei numa empresa muito boa, mas o trabalho era monótono e sem desafios para mim”, diz. “Ter essa experiência na Microsoft me põe em uma boa posição para conseguir empregos em qualquer lugar”, afirma, referindo-se às portas que um emprego desse tipo é capaz de abrir.

Para a gerente de relacionamento com startups da Microsoft, Silvia Valadares, Pernambuco é um berço de talentos. “Olhamos para um programa como a Imagine Cup (competição da Microsoft) e percebemos que entre os finalistas sempre há muitos estudantes do estado”, depõe. Ela acredita que o estado tem uma cultura forte de inovação que não se limita ao Centro de Informática da UFPE. “Há outros lugares despontando e movimentando startups”, comenta.

Os alunos do CIn têm conseguido bons resultados na Imagine Cup desde 2004, quando obteve segundo lugar na etapa nacional. Em 2005, venceu as etapas nacional e mundial, ocorrida em Yokohama, no Japão. Foram mais três títulos mundiais: um em 2007 e dois em 2009. O vice-campeonato foi conquistado em 2010 e 2011. No ano passado, o segundo lugar foi para a equipe Bells Team, com o projeto ProDeaf, um software de tradução de linguagem falada ou escrita para deficientes auditivos. “Neste ano, dos 18 projetos finalistas, sete são de Pernambuco”, informa Silvia Valadares.

MICHELINE BATISTA / Diário de PE

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