Sindicato da Indústria Naval admite atraso, mas garante que setor nunca deixou de entregar encomendas
O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval (Sinaval) negou ontem que esteja havendo uma crise no setor. Falando pela primeira vez sobre o assunto desde que a Samsung Heavy Industries (SHI) deixou de ser sócia do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), o presidente da entidade, Ariovaldo Rocha, reconhece o atraso na entrega de encomendas de navios petroleiros, mas garante que o setor “nunca deixou de entregar navios encomendados no passado”.
“O setor da construção naval não está em crise. Um dos estaleiros apresenta atraso na entrega das encomendas e trabalha para superar essas dificuldades”, disse Ariovaldo em artigo publicado no site do Sinaval. Ele lembrou que a construção do petroleiro João Cândido, o primeiro de uma série de 22 embarcações encomendadas pela Transpetro, é certificada por uma entidade independente, o American Bureau of Shipping. Além disso, destaca que o EAS entregou, em dezembro de 2011, o casco da plataforma P-55, da Petrobras, que seguiu para o Estaleiro Rio Grande (RS) para a integração de módulos de operação.
Ariovaldo Rocha classifica a retomada da indústria naval brasileira como um “processo em andamento, com amplo debate entre todos os envolvidos”. O andamento das obras, afirma, está sendo acompanhado de perto e “às claras” pelos agentes financeiros do Fundo de Marinha Mercante (BNDES, Banco do Brasil, Caixa, BNB e Basa). Até o fim de 2011 teriam sido desembolsados, com recursos do FMM, R$ 2,1 bilhões.
O EAS apresentou ao Sinaval informações sobre a construção dos petroleiros, sobre a saída da Samsung e sobre a busca de um novo parceiro estratégico para a construção dos navios-sonda encomendados pela Sete Brasil, que tem a Petrobras como acionista (10%). Extraoficialmente, comenta-se que o estaleiro pernambucano estaria negociando com as japonesas Mitsui e Mitsubishi, além de um estaleiro polonês (Remontowa), a Gdansk e a sul-coreana STX.
Informações de bastidores dão conta de que o EAS quer tentar renegociar com a Transpetro o prazo de entrega dos 22 petroleiros, fixado em 2016. De acordo com a assessoria de imprensa da estatal, ainda não há nenhuma negociação nesse sentido em andamento. O contrato estipula multas em caso de descumprimento do prazo, mas sua aplicação só ocorre após a entrega e depende das justificativas apresentadas. O pacote está orçado em cerca de R$ 7 bilhões.
O EAS também teria enviado cartas às autoridades pedindo adiamento do início do pagamento dos financiamentos obtidos junto ao FMM. O Conselho Monetário Nacional determina que a carência termina quatro anos depois da liberação do crédito. Embora não esteja na pauta, o assunto deve ser tratado na reunião do conselho diretor do FMM agendada para amanhã.
MICHELINE BATISTA / Diário de Pernambuco
A foto é do Diario de PE
