O caminho para o crescimento

Empresas de tecnologia montam base fora do estado em busca de um mercado mais sólido e faturamento maior

Sair ou ficar no Recife? Não são poucas as empresas pernambucanas de tecnologia da informação (TI) que vivem ou viveram esse dilema. Sair significaria alcançar novos (e maiores) mercados; ficar, pode virar sinônimo de limitação geográfica e estagnação. Algumas encontraram uma saída, uma receita para crescer que não exclui uma coisa nem outra: a abertura de uma filial em São Paulo. A base tecnológica continua no Recife, enquanto que o braço comercial explora todo o potencial do Centro-Sul do país.

A NeuroTech, empresa especializada em inteligência artificial para gestão de crédito e risco baseada no Porto Digital, conseguiu aumentar seu faturamento em 180% em 2011, primeiro ano de funcionamento de sua filial em São Paulo. “Se a gente soubesse que haveria um aumento no faturamento tão alto, já teríamos aberto essa filial há mais tempo”, diz o sócio e diretor de produto da NeuroTech, Rodrigo Cunha.

Criada em 2000 como uma unidade de negócios do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), a NeuroTech fez seu spin off (saída da incubação) em 2003 e até hoje é alimentada exclusivamente pelo capital dos cinco sócios. Em 2008, eles compraram a participação societária do C.E.S.A.R. “São nove anos pedalando por conta própria. Não existe fórmula mágica para crescer, mas posso dizer que agora encontramos o caminho do crescimento”, comenta Rodrigo.

Até lá, o percurso foi longo. As empresas pernambucanas não foram nada receptivas às soluções da NeuroTech e o jeito foi rumar para São Paulo, em busca das grandes corporações do varejo, bancos e financeiras. Até o ano passado, o atendimento a esses clientes na capital paulista era feito através de um representante comercial em um escritório virtual.

“A gente achava que viajar uma vez por semana para São Paulo era suficiente. Mas o cliente quer sempre soluções imediatas e a NeuroTech não tinha pessoal técnico por lá. Foi quando resolvemos montar a filial e pulamos de um faturamento de R$ 5 milhões, em 2010, para R$ 14 milhões em 2011. Um crescimento considerável”, conta o diretor de produto.
Em 2012, a empresa prevê um crescimento de 43%, atingindo R$ 20 milhões. O contigente de empregados dobrou de tamanho, passando de 50 pessoas, em 2010, para 100 profissionais atualmente, 20 deles baseados em São Paulo. Na carteira, são cerca de 60 clientes diretos e quase cinco mil indiretos. “A lição que aprendemos foi: é preciso estar sempre perto do cliente”.

O diretor de inovação do Porto Digital, Guilherme Calheiros, acredita que esse é o caminho certo. O próprio parque tecnológico, aliás, está inaugurando um escritório na Avenida Paulista em abril. Um investimento de R$ 170 mil nos próximos dois anos, para uso coletivo das empresas embarcadas. “O nosso espaço geográfico é excelente para produzir inovação, mas todos nós sabemos que o mercado não está aqui. Cerca de 25% do que as empresas do Porto Digital já faturam estão no Sudeste”, pontua Guilherme.

Perfil das empresas

e.Life

O que faz: Monitoração, análise e gestão de relacionamento em mídias sociais
Ano de fundação: 2004
Faturamento em 2011: R$ 10 milhões
Crescimento (2011/2010): 100%
Mais informações: http://www.elife.com.br

NeuroTech

O que faz: Soluções para decisões em crédito, cobrança e fraude
Ano de fundação: 2000
Faturamento em 2011: R$ 14 milhões
Crescimento (2011/2010): 180%
Mais informações: http://www.neurotech.com.br

Tempest

O que faz: Soluções de software e serviços em segurança da informação
Ano de fundação: 2000
Faturamento em 2011: não informado
Crescimento (2011/2010): 87%
Mais informações: http://www.tempest.com.br

Fonte: Empresas

Aposta no Centro-Sul

Outro caso de sucesso no Porto Digital, também originada no C.E.S.A.R. e na mesma época da NeuroTech, em 2000, a Tempest Security Intelligence descobriu bem antes o caminho da roça, ou melhor, do crescimento. A empresa especializada em inteligência em segurança de informação possui escritório em São Paulo desde 2004, embora o primeiro negócio só tenha sido fechado quase um ano depois.

“A gente não entendia nada de São Paulo, então contratamos uma empresa para nos reposicionar. Até a marca tivemos que mudar”, recorda o sócio-diretor Evandro Hora. Depois de um ano em São Paulo, o faturamento pulou de R$ 600 mil para R$ 2,6 milhões. Três anos depois, a filial paulista já respondia por 50% do faturamento. Hoje são cerca de 70 clientes.

A fórmula é a mesma. Mantém-se a base tecnológica em Pernambuco e a parte comercial no Centro-Sul. No caso da Tempest, são 70 colaboradores no Recife e 20 em São Paulo, incluindo alguns técnicos que conectam a rede dos clientes à da empresa para que o pessoal do Recife possa trabalhar. “Nossa mão de obra está em Pernambuco, mas nosso mercado está lá. Hoje já temos um nome, mas teria sido impossível crescer sem um escritório em São Paulo”, conclui Evandro. (M.B.)

MICHELINE BATISTA / Diário de Pernambuco

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