O conceito de biorrefinaria está alicerçado em muitos tipos de biomassa, que incluem amiláceos, madeira, resíduos de madeira, bambu, gramas, resíduos agrícolas (palhas de cereias, bagaço de cana, etc) e até mesmo em lixo municipal selecionado.

Existe muito debate, na atualidade, em relação à biomassa mais adequada, do ponto de vista econômico, da competição em relação à produção de alimentos e da neutralidade, em relação ao balanço de CO2. Nesse particular, a madeira e os resíduos de madeira apresentam-se como excelentes fontes de biomassa. Enquanto não competem com a produção de alimentos, 1 hectare de floresta pode produzir 9.500 litros de etanol, enquanto que a mesma área cultivada com milho produz apenas 3.400 litros desse combustível.

Por outro lado, a produção de biomassa florestal exige manejo muito menos intensivo que os produtos agrícolas (fertilização, irrigação, colheita, etc), atendendo melhor à neutralidade de CO2. Deve ser destacado que um hectare cultivado de cana-de-açúcar pode produzir até 13.000 litros de etanol, se for considerada também a produção advinda do bagaço. Naturalmente, o cultivo da cana-de-açúcar é privilégio de poucos países, estando o Brasil em uma posição muito favorável, em relação a esta biomassa. É provável que o avanço da biorrefinaria no Brasil se dê, inicialmente, com a cana-de-açúcar, em vez da madeira.

As maiorias dos esforços em biorrefinaria estão focalizadas na área de produção de energia, aqui incluídos os biocombustíveis. Deve ser ressaltado que a biomassa anualmente produzida no planeta é insuficiente (< 30%) para atender à demanda de energia hoje proveniente do petróleo. Grandes investimentos terão que ser realizados no aumento da produção de biomassa. Embora a demanda mundial de biomassa para a produção de materiais e de produtos químicos seja muito pequena, não mais que 6% daquela necessária à produção de energia, existe muito interesse também nestes produtos, dado os seus elevados valores agregados, em alguns casos.

Biorrefinarias pelo Mundo

Suécia: As experiências realizadas no país estão voltadas à obtenção de energia e produção de diversos materiais e produtos químicos a partir de lignina, celulose, cascas e outros resíduos florestais. Um projeto destinado à produção de dimetil éter por meio de gaseificação de licor negro também está em andamento.

Noruega: Um empreendimento conjunto entre a Norske Skog e a empresa de energia Hydro estuda a viabilidade de produzir biodiesel a partir da madeira. A construção de uma usina de biodiesel no sudeste do país está prevista para 2012.

Dinamarca: A planta de demonstração de tecnologias básicas BioGasol está atuando na produção de bioetanol celulósico a partir de uma ampla gama de biomassa, tais como lascas de madeira, resíduos de jardim, cevada e trigo.

Islândia: As principais tecnologias usadas na planta de demonstração de biorrefinaria de matéria-prima vegetal são hidrólise ácida e fermentação de açúcares, enquanto o principal produto estudado é o bioetanol.

Canadá: Um dos países que mais visualiza oportunidades de biorrefinaria para a indústria de celulose e papel, no Canadá há três principais temas de investigação: matérias-primas, conversão e tecnologias de separação e mercados para os produtos. Diversas empresas de polpa celulósica estão trabalhando para converter suas fábricas em biorrefinarias.

Finlândia: Três consórcios planejam estabelecer biorrefinarias de segunda geração no país. Stora Enso/Neste Oil, UPM, e Metsäliitto/Vapo estão focando seus projetos na gaseificacão de biomassa e síntese por Fischer-Tropsch. (NN Petróleo)

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