Novos polos industriais seduzem montadoras

Camaçari (BA), Resende (RJ) e Suape (PE) lideram disputa para atrair fábricas que serão erguidas pela Volkswagen, BMW, Land Rover, Lifan Motors, Hyundai e Districar.

O interesse de montadoras tradicionais e marcas entrantes em instalar fábricas no país criou uma nova rodada de disputa entre estados que nos últimos anos se esforçam para consolidar sua posição como polos produtores de veículos.

As novas fronteiras da indústria automotiva, cada vez mais distantes do ABC paulista, o berço da indústria, tentam seduzir como podem companhias como Volkswagen, BMW, Land Rover, Lifan Motors, Hyundai e Districar – representante das marcas chinesas Changan, SsangYong, Haima e JMC.

O flerte dos governos é quase sempre o mesmo: incentivos fiscais generosos, facilidades nas negociações trabalhistas e vantagens logísticas. Os polos de Camaçari, na Bahia, Rezende, no Rio de Janeiro e Suape, em Pernambuco, tentam angariar novas empresas.

Restrito nos últimos dez anos a apenas uma fábrica, da Ford em Camaçari, na Bahia, o Nordeste desponta como nova preferência das companhias e deve ganhar musculatura nos próximos anos.

Pernambuco já captou R$ 4 bilhões para a construção de uma fábrica da Fiat, em Goiana, acertou a instalação de duas montadoras chinesas de motos, a Sazaki e a Shineray, e está no páreo para receber as novas unidades da Volkswagen e da BMW.

A Bahia, por sua vez, hospedará sua segunda fábrica, a da chinesa Jac Motors, com aporte de R$ 900 milhões.

Como consequência, o estado deve ter ainda seu parque de fornecedores de autopeças ampliado para dar conta do aumento da demanda local. Recentemente, a Basf, que produz resinas automotivas, aportará US$ 800 milhões para uma nova fábrica no Polo Industrial de Camaçari.

Atualmente os baianos respondem por 5,7% da produção brasileira de veículos, devendo chegar a cerca de 10% em 2016 com a instalação da Jac.

“Os investimentos previstos para o setor nos próximos cinco anos somam cerca de US$ 2,5 bilhões”, comemora o governador da Bahia, Jaques Wagner. Na conta, estão incluídas a ampliação e instalação de montadoras de automóveis, motocicletas e fabricantes de componentes e autopeças.

Wagner afirmou que não “fará leilão” para captar novas montadoras, referindo-se a benefícios fiscais excessivos, mas disse que vai se esforçar ao máximo para consolidar a Bahia como fabricantes de veículos e transformar a região no que chamou de “China brasileira”.

Grande ABC

Esse movimento acontece ao mesmo tempo em que o parque automotivo do Grande ABC perde força. Já se vão 52 anos desde que a Volkswagen iniciou atividades em São Bernardo. Na mesma época, General Motors (GM) e Ford também abriram unidades na região, atraindo fabricantes de veículos pesados como Scania e Mercedes-Benz.

O aumento do custo de mão de obra e a falta de incentivos fiscais acabaram tirando competitividade do ABC. Nos anos 1970, a Fiat abriu a primeira nova fronteira com sua fábrica em Betim, Minas Gerais.

Nas duas décadas seguintes, a atividade se dispersou para o Sul (Paraná e Rio Grande do Sul), avançando depois para o Rio de Janeiro, Goiás e Bahia.

Segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 37 municípios de 8 estados produzem carros no Brasil.

São Paulo, que até os anos 1980 detinha cerca de 95% da produção nacional, ainda responde por 46% mas, apesar do saldo favorável, o número é justificado pela criação de um novo polo no interior, com a chegada da Honda, Toyota, Hyundai e Chery.

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