Os traços criativos da economia

São diversas as atividades ligadas que usam o novo para gerar valor e riqueza

Enquanto Pernambuco cresce a passos largos com o desenvolvimento das indústrias tradicionais, outra cadeia produtiva vem sendo estruturada para ganhar força e solidez nos próximos três anos: a indústria criativa. O setor agrupa as atividades relacionadas à TV e rádio, artes cênicas, artes visuais (design), mercado editorial, filme e vídeo, publicidade, arquitetura, música, games, moda e software.

Esse segmento, intrínseco a diversas áreas de atuação, foi mencionado pela primeira vez, em 1994, no relatório Nação Criativa elaborado pelo governo australiano. O primeiro conceito surgiu sete anos mais tarde no livro “The Creative Economy”, do consultor inglês John Howkins. “Criatividade não é nova e nem é a economia, o que é novo é a natureza e a extensão da relação entre elas e como se combinam para criar extraordinário valor e riqueza”, conceitua Howkins.

E não é difícil identificar produtos criativos de Pernambuco, famosos da época que contenham essas características. Em 1990, quando o cineasta Lírio Ferreira levou o cinema pernambucano para as telas de todo o Brasil com o filme “Baile Perfumado”, surgia uma importante vertente audiovisual no Estado. Naquela mesma década, o cantor e compositor Chico Science iniciou uma nova fase da música local ao criar o movimento Manguebeat.

Há muitos outros exemplos. Há pouco mais de dez anos, o Bairro do Recife tornava-se o berço da Tecnologia da Informação com a implantação do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) e do Porto Digital, eleito pela segunda vez o melhor parque tecnológico do País.

Outro é a Fenerarte, que com 12 anos de existência, ostenta o título de maior feira de artesanato da América Latina. A feira deste ano movimentou R$ 31,5 milhões em dez dias vendas. Se consideradas as rodadas de negócios do Sebrae esse número sobre para R$ 34 milhões. “Isso mostra que o mercado consumidor existe e é crescente. Por isso, é preciso incentivar esse mercado”, enfatiza o diretor de Promoção da Economia Criativa da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), Roberto Lessa.

Quem percebe a importância do incentivo ao setor criativo são os próprios artistas. Para o escultor pernambucano, Jaime Nicola de Oliveira, a Fenearte abriu portas. “Antes eu vendia peças para lojas, arquitetos e decoradores. Com a feira, tive um acréscimo de 40% nas vendas e a partir da feira fui para outros eventos. Hoje tenho peças minhas em vários estados do Brasil e em muitos países”, conta.

Atualmente o Estado desponta no cenário nacional pela produção efervescente de elementos culturais e tecnológicos diretamente ligados à economia criativa, como música, cinema, artesanato, moda, games, softwares, entre outros.

“O cenário pernambucano de hoje é resultado de uma transição cultural e aliada a um esforço dos últimos três anos que se desenvolveu desde que a economia criativa começou a entrar na pauta no Brasil”, avalia o presidente da Federação Nacional da Economia Criativa (FNEC), Edgar Andrade.

CAROL PACOBAHYBA / Folha de PE

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