Representantes do setor defendem térmica Suape III após repercussão do anúncio do empreendimento

A repercussão gerada aqui e em outros veículos com o anúncio da termelétrica Suape III no Complexo de Suape levou o setor de energia e o governo a se pronunciarem sobre a instalação da usina movida a óleo combustível. Com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o Brasil gera mais de 115 milhões de quilowatts (kW) de potência. Desse total, as usinas hidrelétricas correspondem a  67,40% da produção, seguidas pelas usinas termelétricas, responsáveis por 26,49% da potência energética brasileira, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Depois das críticas, alguns representantes do setor defendem as térmicas.

Termelétrica Suape terá capacidade maior que a das duas usinas já instaladas no Complexo

Para o diretor de engenharia e construção da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), José Ailton de Lima, as térmicas são utilizadas como fontes complementares na matriz energética brasileira. “A base da matriz energética no País são as hidrelétricas, mas as térmicas são utilizadas como fontes de reserva. Mas o óleo combustível é queimado apenas se houver demanda. Como temos facilidade em conseguir o combustível, por termos refino de petróleo no País, além de serem máquinas de fácil instalação, torna-se viável instalar uma usina termelétrica.”

Em relação à poluição, o diretor de engenharia da Chesf adianta que não resta dúvida sobre a poluição quando comparada a produção de uma termelétrica a combustível fóssil e uma hidrelétrica, mas considera que o nível de poluição provocada por uma usina a óleo combustível deverá ter um impacto relativamente baixo. “A maior parte do mundo utiliza carvão mineral, que é altamente poluente. Essa é a principal fonte de países como os EUA e a China.”

O diretor de engenharia da Chesf considera que o Brasil faz um uso equilibrado das fontes energéticas. “O Brasil está dosando o uso de cada fonte. Temos produção de petróleo, também devemos agregar esse combustível à produção de energia no País, até porque esse óleo produzido será queimado em algum lugar, ou nos carros ou nas usinas.”

José Ailton Lima aponta ainda que o nível de poluição de uma termelétrica traz consequências ambientais mínimas, já que opera apenas quando precisa ser ativada, além de depender da tecnologia das plantas industriais, que estão se modernizando e diminuindo os impactos contra o meio ambiente.

De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira de Geração Flexível (Abragef), Marco Antônio Veloso, 50% da energia dos EUA é gerada a partir do carvão mineral, que tem taxa de emissão 50% maior que as taxas verificadas em usinas termelétricas a óleo combustível. “O dióxido de carbono é emitido em todo tipo de combustão, seja combustão de gás, de etanol, de biocombustível, de diesel ou óleo combustível. Não há combustão que seja imune. E as térmicas são fundamentais no sistema elétrico nacional por serem fontes de segurança, entram em operação antes a falência das demais fontes.”

Marco Antônio Veloso também avalia que as termelétricas não são as principais responsáveis pela emissão dos gases que provocam o efeito estufa. “No Brasil, 70% das emissões de CO2 são provenientes das queimadas, nas florestas. A geração de energia elétrica representa cerca de 1% das emissões de carbono, e o restante é emitido pelas indústrias, pelos veículos”, enumera.

O diretor-presidente da Star Energy, Evandro Miessi Mente, também afirma que as usinas térmicas são fundamentais para a matriz energética brasileira. “Porque é uma fonte rápida e o preço da energia gerada a diesel é mais barato que o da energia gerada a gás.”

Miessi Mente aponta que a usina movida a gás necessita de muito mais matéria-prima para funcionar. “Uma térmica de mil megawatts consome 4 milhões de metros cúbicos de gás por dia.” Já uma térmica a diesel consome cerca de oito mil toneladas de combustível em um dia inteiro de operação, conforme estimativas da Star Energy. A capacidade de produção da usina será de 1.452 megawatts (MW).

Para amenizar os danos causados ao meio ambiente, Miessi Mente alega que a planta industrial de Suape III será construída atendendo aos parâmetros mais modernos no mundo. “As emissões de gás carbônico começam desde a implantação do maquinário da usina. Mas o tratamento do gás será feito desde a montagem das máquinas, todos os equipamentos serão monitorados eletronicamente, fazendo com que nunca seja injetado mais combustível que o necessário.”

Por Lara Holanda / PE Investimentos

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