Crise do petróleo acelera pacote do governo para ajudar indústria

Ideia é criar compensação para câmbio; alta de juros deve atrair mais dólares e deixar real valorizado
Fundo chileno, que taxa exportação de cobre, é estudado; indústria precisa de compensação por câmbio e inflação

O aumento do preço do petróleo após a crise na Líbia e a alta dos juros na próxima semana devem levar o governo a acelerar medidas para proteger os exportadores. Essa é a recomendação que ministros da área econômica pretendem levar à presidente Dilma nos próximos dias.

A presidente já havia definido que, em março, faria uma reunião de avaliação para analisar a necessidade de adotar novas medidas na área cambial e também de contenção de crédito.
Segundo um auxiliar de Dilma, o governo não vai ficar parado vendo o dólar se desvalorizar e prejudicar a indústria brasileira. Deixar isso acontecer, segundo ele, pode causar um “estrago na economia irrecuperável”.

Algumas medidas estão em análise pela equipe econômica. Um auxiliar citou como hipótese a criação de um imposto sobre exportações de commodities, seguindo o modelo chileno que taxa vendas externas de cobre para formar um fundo de estabilização da economia.

No caso brasileiro, o fundo poderia ser usado até para proteger os produtores agrícolas em caso de forte queda dos preços internacionais das commodities.

A preocupação do governo é que uma nova alta nas taxas de juros como forma de tentar desacelerar o crescimento estimulará ainda mais a entrada de dinheiro estrangeiro, derrubando a cotação da moeda americana em relação ao real.
O fluxo de dinheiro estrangeiro para o Brasil continua forte. Somente em fevereiro, até o início desta semana, entraram US$ 3,6 bilhões em termos líquidos. Só de investimentos diretos para o setor produtivo foram US$ 6,7 bilhões, recorde para o mês.

Os empréstimos tomados no exterior que estão vencendo foram quitados, mas as empresas fecharam novas operações ainda maiores.

Parte da equipe de governo acredita que o setor exportador precisa ser compensado de alguma maneira, já que o movimento de apreciação do real que tem estimulado a vinda de estrangeiros para o Brasil deve-se não apenas às altas taxas de juros praticadas no país mas também ao cenário internacional, sobre o qual o governo não tem controle.
Nas últimas semanas, a crise em produtores de petróleo, como a Líbia, acentuou a preocupação. Uma alta muito forte no preço do produto pode ter impacto na retomada do crescimento das principais economias, além de contribuir para disseminar inflação mundo afora.

Fonte: Folha de São Paulo/VALDO CRUZ/SHEILA D’AMORIM/DE BRASÍLIA

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