Documento com prioridades para área será entregue a Dilma
AUGUSTO LEITE
A presidente eleita Dilma Rousseff deve receber do setor industrial uma pauta de reivindicações não muito diferente do que os governos anteriores. Pelo menos no que diz respeito às prioridades pernambucanas, os quesitos apresentados no quinto Encontro Nacional da Indústria (Enai), nos dias 1º e 2 de dezembro, em São Paulo, se repetirão. Não há indícios de melhoria nos principais problemas apontados pelo segmento, como a redução de carga tributária, a simplificação dos acessos a financiamento e a burocracia dos processos de licenciamento ambiental.

O Enai vai receber 24 representantes sindicais pernambucanos, além de representações de todas as federações industriais do País. Juntas, elas vão formalizar um documento que será entregue às principais lideranças do Brasil. “Temos que fazer as críticas necessárias para que a CNI (Confederação Nacional da Indústria) cobre providências do Governo Federal, que até agora não deu sinal algum de melhorias”, disse um dos diretores da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Felipe Coelho, que ainda está à frente de dois sindicatos ligados ao setor.

O Estado é apenas o décimo na composição da indústria brasileira e o oitavo no número de empregados, com participação de 2,5% e 3,1%, respectivamente. Ainda assim, o crescimento dos postos de trabalho na indústria pernambucana ficou três pontos percentuais acima da brasileira, entre 2004 e 2009, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais). O destaque é o território estratégico de Suape, onde as vagas aumentaram quase 21%. “Suape ainda precisa melhorar sua infraestrutura, mas já conquistou um novo olhar”, defendeu o coordenador da Unidade de Pesquisas (Uptec) da Fiepe, André Freitas.

O entorno do Porto é um dos pontos específicos de Pernambuco que podem ser debatidos no Enai. Outra questão é a substituição tributária adotada pelo Governo do Estado no recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que só é cobrado na origem. “Precisamos continuar insistindo em algumas discussões. Já vimos desonerações de tributos pontuais, como na época da crise, e isenções de ICMS, além do que estão voltando atrás com a história da CPMF”, observou Freitas.

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