A refinaria do século 21

Planta é capaz de produzir combustíveis mais limpos, com menor impacto e redução de custos

Micheline Batista // Diário de PE

A unidade de refino que a Petrobras está implantando no Complexo Industrial Portuário de Suape, batizada de Abreu e Lima, nem ficou pronta e já é considerada a refinaria do século 21. E por diversos motivos. Primeiro, porque ela é de fato o primeiro empreendimento deste tipo que se constrói no Brasil neste século. O último foi a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), que começou a ser erguida em 1974 e foi concluída em 1980. Em segundo lugar, porque ela foi projetada com tecnologia de ponta, a primeira no país desenhada especificamente para processar óleos pesados e extrapesados e capaz de produzir combustíveis mais limpos, minimizando impactos e custos.

O diesel será o grande diferencial da refinaria pernambucana, respondendo por cerca de 70% da produção de 230 mil barris diários. Quando a unidade entrar em operação, no fim de 2012, o Brasil passará a ser autossuficiente na produção desse combustível que hoje precisa ser importado paraatender à demanda cada vez mais crescente. A tecnologia adotada pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) no projeto da Abreu e Lima prevê a produção de diesel com baixo nível de enxofre – com 50 ppm e 10 ppm (partes por milhão), chamados de diesel S-50 e S-10, exigidos pelos padrões europeus.

É uma planta de alto nível tecnológico e com grandes preocupações ambientais. Vamos pegar o petróleo pesado, de baixo valor agregado, e transformar em um combustível de alta qualidade, o diesel com 10 ppm de enxofre`, diz o presidente da Refinaria Abreu e Lima, Marcelino Guedes. Quanto mais enxofre, mais poluente é o combustível para a indústria automobilística. O S-10 é compatível com os novíssimos motores Euro V, que emitem menos poluentes.

Aliás, a própria unidade industrial terá um sistema de controle de emissões de partículas na atmosfera nos níveis requeridos pela legislação, tanto para óxidos de enxofre (SOx) quanto para óxidos de nitrogênio (NOx), resultantes do processo de refino. A unidade para sequestro desses gases estará posicionada junto às caldeiras. A Agência Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), por meio de um convênio firmado com a Petrobras, irá operar 13 estações de monitoramento da qualidade do ar em Suape.

Reuso

Outra preocupação da Petrobras é com o reuso da água. A Refinaria Abreu e Lima reaproveitará 5,3 bilhões de litros de água por ano. Vários projetos de reuso estão em desenvolvimento no Cenpes com o objetivo de economizar 650 milhões de litros por mês considerando todas as refinarias – o equivalente ao consumo de uma cidade com 150 mil habitantes, como Garanhuns, no Agreste pernambucano.

O reuso de água na refinaria envolverá, por exemplo, a captação de água das chuvas para utilização em sanitários e na irrigação de jardins, além do combate ao desperdício. A proposta é erguer um empreendimento que privilegie a otimização de processos, o baixo consumo energético, equipamentos e tecnologias avançadas em sinergia com o meio ambiente. Uma refinaria com olhos no futuro.

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