Nova lei vai estimular o negócio da reciclagem

Regras para os resíduos sólidos entraram em vigor no último dia 2 e obrigam o tratamento ou reaproveitamento do lixo por seu gerador. Com as mudanças, empresas do ramo de reciclagem estão investindo de olho na expansão da demanda

Angela Fernanda Belfort // Jornal do Comércio

A nova lei de resíduos sólidos (nº 12.305/2010), que entrou em vigor no dia 2 deste mês, vai aumentar o mercado das empresas de reciclagem no País. Em pelo menos três aspectos contribuirá para a expansão do setor: a legislação torna o ato de reciclar obrigatório, traz um novo conceito no tratamento dos resíduos (a logística reversa, que prevê o retorno dos resíduos aos seus geradores para que sejam tratados ou reaproveitados) e, por último, implanta a coleta seletiva. “A nova lei vai aumentar a demanda por reciclagem e já estamos nos preparando para isso”, diz o agente de negócios da Reciclar Gerenciamento de Resíduos, Lenildo Cunha. A empresa faz o gerenciamento de resíduos para várias indústrias, comprando o material reciclável e revendendo para quem precisa usá-lo como matéria-prima.

A Reciclar iniciou um investimento de R$ 120 mil em equipamentos para aumentar a quantidade de papelão e plástico a ser prensada, uma das primeiras fases da reciclagem. Segundo Cunha, a expectativa é que a expansão do negócio ocorra já no próximo ano como consequência da nova legislação, que deve ser regulamenta por decreto do presidente Lula ainda neste ano.

Este novo boom da reciclagem já foi percebido na última edição da Embala Nordeste, que ocorreu na semana passada. “Em 2009, o evento contou com a participação de 33 empresas ligadas à reciclagem. Este ano, foram 72. Com a nova legislação as empresas vão se preocupar em usar menos matéria-prima para fazer as embalagens”, explicou o diretor da empresa promotora do evento (a Greenfield), Luiz Fernando Pereira.

A preocupação das empresas com o descarte dos resíduos vai aumentar porque a legislação diz que “a responsabilidade pela volta do produto é do fabricante, que terá que dar uma destinação final a esse resíduo”, lembra o presidente do conselho temático do meio ambiente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Anísio Coelho.

Além da destinação final, as empresas terão que apresentar um plano de gerenciamento dos resíduos sólidos, descrevendo como os mesmos serão descartados ou reciclados e terão que comprovar como isso está sendo feito. E aí vão entrar os cálculos de como será mais econômico descartar esse tipo de material.

Para oferecer uma destinação correta e com um custo mais barato do que o aterro sanitário, a empresa Aspectu Assessoria Ambiental vai investir R$ 1,7 milhão para aproveitar os resíduos sólidos orgânicos (restos de comida, por exemplo) e transformá-los em adubo orgânico e biofertilizantes numa usina de decompostagem. “Também vamos usar o gás metano que surge na decomposição dos alimentos para gerar energia”, diz o diretor administrativo da empresa, Célio Muniz.

A usina de decompostagem será implantada em Paudalho e atualmente a empresa está pedindo o licenciamento ambiental do empreendimento, que deve entrar em funcionamento no segundo semestre de 2011. “A nossa ideia é destinar o lixo orgânico que já recolhemos de alguns dos nossos clientes e aumentar isso com novos usuários, como supermercados e panificadores, que têm self-service ou lanchonete e produzem esse tipo de resíduo”, explica Muniz. Ele argumenta também que o preço do serviço será mais competitivo do que o de um aterro sanitário, porque ele vai gerar produtos (o biofertilizante e a energia) e garantir uma receita extra.

REVERSA

A nova lei estabelece que a logística reversa será adotada aos poucos, para os produtos e embalagens de plástico, metal e vidro. Desde o último dia 2, essa forma de tratar os resíduos já é obrigatória para produtos, como baterias, pilhas, pneus, óleos lubrificantes usados, produtos eletrônicos e lâmpadas contendo mercúrio.

Os novos conceitos introduzidos na lei, como a logística reversa, vão mudar o perfil da reciclagem. “Materiais menos nobres que antes os catadores não queriam, como as embalagens de alimentos, vão ter que ser reciclados”, explica o diretor da empresa paulista Wortex, Paolo de Filippis, que vende máquinas usadas para triturar materiais recicláveis. Ele já tem clientes que reciclam esse tipo de material e fazem peças para automóveis. “O impacto vai ser grande e vamos vender mais máquinas, porque todas as indústrias vão se preocupar com o resíduo após o consumo”, conclui.

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Um comentário em “Nova lei vai estimular o negócio da reciclagem”

  1. Maravilha esse decreto,a coisa é muito mais do que imaginamos, a obrigação das empresas cuidarem dos seus resíduos poderá nos livrar de um caus. do lixo nos próximos anos.
    Pra uma empresa de celulose, por exemplo, o ciclo é quase perfeito, visto que o lixo gerado pode ser aproveitado como matéria prima para o seu próprio processo, exemplo do papelão que é reciclado hoje em grande escala e, além disso, podemos encontrar um potencial energético enorme no lixo gerado por esse tipo de industria.

    Países como a França e Coreia do Norte, já utilizam a energia do lixo como energia Firme (fonte de energia não sazonal), com toda nossa riqueza natural hoje a energia gerada pelo lixo ainda é muito cara quando comparamos com nossa fonte abundante hidráulica. Por outro lado cuidar do lixo reflete em mais benefícios para a sociedade, como por exemplo, evitamos os lixões causadores de doenças, e agregamos valor a um resíduo que não está sendo aproveitado atualmente.

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