Preocupação com o social e o ambiente

Suape tem outra particularidade em relação a outros polos industriais – sua consolidação ocorre numa época de grandes preocupações com os indicadores socioambientais. Antes, não havia as exigências do licenciamento ambiental nem tanto planejamento urbano. As empresas simplesmente se instalavam e traziam todas as mazelas a reboque. Em Macaé, a questão urbana há muito fugiu do controle porque a população aumentou de 20 mil para 200 mil habitantes em poucas décadas.

Apesar do planejamento, a expansão dos centros urbanos dos municípios do entorno de Suape esbarra numa realidade: as prefeituras são carentes e não possuem estrutura administrativa para gerir esse crescimento. Por isso, o plano coordenado pela Condepe/Fidem traz em seu guarda-chuva o Programa Especial de Controle Urbano e Ambiental. Mas ainda falta o BNDES aportar os R$ 11 milhões prometidos.

“É um recurso diminuto em relação a outros investimentos, porém essencial para capacitar as prefeituras e construir um sistema de informações cartográficas georreferenciadas”, defende a gestora de Estudos Metropolitanos da Condepe/Fidem, Antonia Santamaria. A pressão é grande, especialmente neste momento em que muitos municípios estão refazendo seus planos diretores para poder receber empreendimentos. Sobretudo Moreno e Escada, inseridos no projeto Suape Global, que visa transformar a região num polo provedor de bens e serviços para as áreas de petróleo, gás, naval e offshore – as novas vocações econômicas de Pernambuco.

Outra questão é cuidar da empregabilidade dos cidadãos. Ipojuca, o terceiro maior PIB do estado e o maior per capita, tem um nível de escolaridade igual ao de um município como Araçoiaba. Para formar mão de obra para o Estaleiro Atlântico Sul, por exemplo, foi necessário promover um reforço escolar de português, matemática e raciocínio lógico para 5 mil pessoas. Tanto o Suape Global quanto o reforço são tentativas de transformar PIB em renda, conforme explicou anteriormente o economista Jorge Jatobá.

Para o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Agência Condepe/Fidem, Rodolfo Guimarães, só o crescimento do PIB não basta. Tem que haver desenvolvimento social e distribuição de renda, afinal, o PIB per capita é uma ficção. “Não queremos que essa região aumente sua participação no PIB fazendo crescer também as externalidades”, (M.B.)  (Diário de PE)

Saiba Mais

Camaçari (BA)

O polo industrial começou a ser implantado em 1978, tendo a Copene (atual Braskem) como carro-chefe do segundo polo petroquímico do país (o primeiro foi Capuava-SP). O polo abriga ainda a única montadora de veículos do Norte/Nordeste – a Ford – e empresas como Bridgestone Firestone, Caraíba Metais, Continental Pneus, Discobrás, Bahia Pulp, Monsanto, Columbian Chemicals, Peroxi Bahia, entre outras.

Ao longo de sua história, o polo de Camaçari recebeu investimentos superiores a US$ 11 bilhões. Gera cerca 35 mil empregos, sendo 15 mil diretos e 20 mil indiretos. O município possui o maior PIB industrial do Nordeste e o segundo maior da Bahia. Apesar disso, a distribuição de renda nunca foi uma realidade. Camaçari tem um IDH de 0,734, considerado médio.

Macaé (RJ)

Nos anos 1970, Macaé era apenas uma vila de pescadores quando a Petrobras decidiu instalar ali sua base para explorar petróleo na Bacia de Campos. Hoje são 45 plataformas e 30 mil profissionais nas unidades marítimas para umaprodução que em 2009 atingiu 1.750 barris diários de óleo.

Em função do desenvolvimento dessa indústria, especialmente a partir de 1997 (abertura do mercado), a economia da cidade cresceu nada mais, nada menos que 600% em dez anos. Seu PIB per capita, de R$ 36 mil, é 200% maior do que a média nacional. Seu IDH, porém, não evoluiu na mesma proporção – é de 0,79. Reflexo, sobretudo, da imigração de pessoas em busca de trabalho. Como nem todos encontram, acabam ajudando a aumentar o tamanho e a quantidade de favelas.

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