Cooperativas de catadores têm crédito especial

Não dá para falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais. Apesar do reconhecimento do papel econômico e social dessa categoria, seus integrantes seguem excluídos do mercado.

Não é difícil entender o motivo. Em geral, as cooperativas são formadas por pessoas quase sem instrução, marginalizadas e muitas vezes sem organização.

Daí a proposta do Instituto Ecofuturo, mantido pela Suzano Papel e Celulose, e do Banco Santander e Avina, de oferecer uma opção de crédito acessível a essas organizações.

O Programa Investimento Reciclável (PIR), que acaba de abrir a sua terceira edição, marcha em passos lentos pois trata de um setor extremamente frágil e que sofreu bastante com a crise de 2008.

“Quando ela ocorreu, as cooperativas não estavam preparadas, não tinham estratégias alternativas e ficaram nas mãos dos intermediários”, avalia Paulo Groke, gerente de projetos ambientais do Ecofuturo. “Agora, as coisas estão começando a melhorar.”

Negócio autossustentável

Groke frisa que a proposta do PIR não é fazer filantropia, mas ampliar o mercado com a inclusão do elo mais fraco da indústria de reciclagem.

A ideia é apoiar os projetos para se tornaram auto-sustentáveis e poderem caminhar pelas próprias pernas. Ele lembra que o setor de papel, PET e outros dependem da organização das cooperativas de material reciclável e, portanto, é importante para os negócios e para a economia em geral que funcionem.

Segundo Andréa dos Santos Regina, gerente executiva de responsabilidade social do Santander, o PIR é uma oferta de crédito e capacitação das cooperativas.

“Não chega a ser microcrédito porque as cooperativas não estão estruturadas para entrar no mercado financeiro formal, mas uma espécie de empréstimo, com juro de 1% ao mês”, explica.

Os recursos são reembolsáveis e devem ser devolvidos ao fundo em até 24 meses, contando com três meses de carência e correção monetária.

Cooperativas de catadores atuam na separação de materiais recicláveis existentes no lixo

“Porém, em condições mais atrativas do que aquelas encontradas no sistema financeiro tradicional, pois não implica juros sobre as parcelas a restituir”, frisa.

A gerente explica que o empréstimo de R$ 2 mil a R$ 40 mil é orientado por um comitê que acompanha os resultados das ações, a gestão contábil e administrativa e oferece cursos.

Dinheiro e capacitação

Nos dois editais anteriores do PIR, foram beneficiadas onze cooperativas, e este ano espera-se a adesão de mais cinco. Mas o benefício é ampliado já no processo seletivo que implica em apoio no planejamento do projeto a ser apresentado e oficinas de capacitação.

“Os resultados se refletem no rendimento dos cooperados”, afirma Andréa.

A Coopervivabem, na região oeste de São Paulo, é uma das primeiras cooperativas contempladas. Segundo Maria Teresa Montenegro, tesoureira da cooperativa, o financiamento foi fundamental para que o negócio pudesse crescer.

“Pudemos pagar utilizando o fundo de 10% das vendas que guardamos para emergência”, diz.

Para Maria Teresa, tão importante quanto o dinheiro foi a capacitação.

Graças a isso, a cooperativa pôde ser aprovada em uma das linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a inclusão de trabalhadores da cadeia produtiva de reciclagem, com R$ 614 mil. (Brasil Econômico)

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