Se o grupo argentino vencer, equipamentos vão sair da fábrica de Suape, que está recebendo investimento de R$ 300 milhões para produzir as turbinas

Adriana Guarda // Jornal do Commercio

Turbina de Itaipu

O grupo argentino Impsa está na disputa com outras gigantes do setor de equipamentos de geração de energia para fornecer as turbinas da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Se vencer, os equipamentos vão sair da fábrica localizada no Complexo de Suape, que foi erguida inicialmente para fabricar aerogeradores e está recebendo investimento de R$ 300 milhões numa ampliação programada para produzir as turbinas.

O vice-presidente executivo da Impsa, Jose Luis Menghini, conta que as negociações para fornecer os equipamentos começaram quando a Chesf pediu uma cotação das turbinas ao grupo, antes de participar do leilão de concessão. De lá para cá, as participações no consórcio mudaram e a maior fatia individual deixou de ser da Chesf e passou para a Eletronorte, com 15% e 19,98%, respectivamente. No mercado, o comentário é de que a mudança no comando teria ameaçado o fornecimento da Impsa. A Eletronorte teria solicitado outras cotações, inclusive de fornecedores chineses, em condição de oferecer melhores preços.

“Temos todo o interesse de fornecer e estamos fazendo esforço no preço para atender ao consórcio vencedor. Outras companhias também estão na disputa, como a Alstom e demais fabricantes tradicionais. Nesse ponto vamos ser bairristas e queremos que Pernambuco forneça esses equipamentos que são críticos para Belo Monte”, torce Menghini. A hidrelétrica está contratando 18 turbinas de 610 MW e a estimativa é que o custo fique em torno de US$ 7 bilhões.

As turbinas têm um diâmetro tão grande que o galpão da área de produção, localizado em Suape, terá que ter a altura do Cristo Redentor, com seus 38 metros. “O projeto de ampliação da fábrica foi elaborado antes da negociação com o consórcio de Belo Monte, mas é claro que somos empresários e queremos garantir essa importante encomenda para a nova unidade. Será lamentável se isso não ocorrer”, assinala Jose Luis Menghini. O executivo diz que a expectativa é que o consórcio defina o grupo que vai construir as turbinas no prazo de um mês.

As obras de ampliação da fábrica de Suape já estão em curso e a previsão é que entre em operação em abril de 2011. A unidade terá capacidade para produzir até quatro turbinas por ano. O vice-presidente executivo da Impsa explica que a construção do equipamento demora até 55 meses, sendo 18 de engenharia e 36 de fabricação.

O Grupo Impsa produz equipamentos para usinas hidrelétricas há 50 anos e tem duas fábricas voltadas para esse segmento, sendo uma na Argentina e outra na Malásia. No Brasil, já forneceu para Furnas, Cemig e a própria Eletronorte.

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