Por um bom tempo, empreender no Brasil era resultado mais da necessidade do que de vontade própria ou ideia brilhante. Perdia-se o emprego, o mercado não oferecia oportunidades, o trabalhador procurava o sustento com um negócio próprio.

Brasil Econômico // Editorial

Esta situação vem mudando. A boa maré pela qual passa a economia brasileira está se tornando perfeita para quem quer viabilizar o próprio negócio, mesmo tendo um bom posto registrado na carteira de trabalho.

O bom momento, diz o professor Tales Andreassi, coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getulio Vargas, incentiva os interessados a se arriscar, pois aumenta a confiança no sucesso da nova empresa. É o empreendedorismo por oportunidade, não por necessidade.

Levantamento do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostra que 15,3% da população brasileira empreendia em 2009. No ano anterior, o total era de 13%. Entre os membros do G20, o Brasil fica em segundo lugar.

A fase tem se mostrado tão propícia que mesmo as pessoas que há não muitos anos eram invejadas por seus pares e colegas por terem conseguido um emprego no exterior, especialmente nos Estados Unidos, estão fazendo as malas e voltando.

Retornam para se aplicar ao tão falado e reverenciado sonho de ter seu negócio próprio. E, no momento, não só próprio como inovador.

Algumas escolas passaram a incluir em seu currículo cursos de empreendedorismo. A ideia é auxiliar os alunos a verem questões de uma forma diferente, a buscar soluções diversas para problemas e, claro, a inovar.

Mas se o espírito empreendedor parece estar florescendo, ainda é difícil para a maioria dos novos ou potenciais empresários conseguir financiamentos, seja do governo, seja de fundos de investimento privado.

Há duas questões aqui. Os recursos às vezes são poucos, mas os empreendedores também ainda têm medo de se arriscar e, por exemplo, aceitar sócios investidores em seus projetos.

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