Gestão ambiental gera bons lucros

Cada vez mais empresas provam que, além de melhorar a imagem da companhia, a adoção de cuidados com a natureza garante ganhos financeiros

Priscila Muniz

pmuniz@jc.com.br

Colocar o meio ambiente e o lucro em trincheiras opostas ainda é comum hoje em dia. Mas o que algumas empresas estão provando é que eles podem andar juntos por meio de iniciativas que fazem com que ações de cuidado com a natureza sejam revertidas em ganhos financeiros. E se engana quem pensa que os benefícios se restringem à melhoria na imagem da companhia. Inaugurada em 2005, a fábrica da Amanco em Suape já foi concebida com um modelo de ecoeficiência e a ideia da empresa é adotar o mesmo padrão nas outras quatro fábricas do País. Em Suape, se consome menos de 20 litros de água por tonelada de tubos e conexões produzidos, um volume 15 vezes menor do que o que era utilizado na antiga fábrica em Jaboatão dos Guararapes. Além disso, ela possui um sistema de tratamento de efluentes que permite reutilizar a água, que é usada para regar jardins, nas descargas sanitárias e na lavagem de pisos.

A redução do consumo e a reciclagem representam uma economia de cerca de R$ 120 mil por ano na conta de água da fábrica. “Nós temos dois grandes objetivos: a redução de custos e a responsabilidade social, já que com a reciclagem sobra mais água para a comunidade”, diz o gerente da unidade da Amanco em Suape, Alexandre Kursancew. Segundo ele, em todo o Brasil, a empresa ainda promove programas de eficiência energética e aproveitamento de resíduos. A adoção do conceito de ecoeficiência rendeu à Amanco, ao longo dos últimos sete anos, economias de quase R$ 40 milhões.

Em 2001, a filial pernambucana da fábrica japonesa Musashi começou a seguir as normas da ISO 14000, potencializando e reduzindo a utilização de matéria-prima e criando um programa de gerenciamento de resíduos. A venda do material que se tornaria lixo gera hoje para a empresa uma receita de cerca de R$ 90 mil mensais.

A Musashi deu início, em 2007, a um programa de redução do consumo de energia, adotando medidas como a troca de lâmpadas por outras de menor consumo e a substituição das telhas antigas por telhas translúcidas, que mantêm a fábrica iluminada durante o dia sem a necessidade do uso de energia elétrica. Logo em 2008 o resultado foi sentido: a empresa diminuiu sua emissão de CO² de 4.935,6 toneladas para 4.617,6 toneladas, superando a meta de 2% estabelecida pela matriz japonesa. “Obviamente existe um custo inicial, mas ele vai se diluindo com a diminuição dos custos de produção”, afirma o gerente de gestão de qualidade, meio ambiente e segurança do trabalho da empresa, Osmar Elias. “E tudo isso se reverte em benefícios financeiros e para o meio ambiente”, completa.

Desde 2006, o Shopping Center Recife realiza a separação e venda de seus resíduos sólidos, através de uma empresa de assessoria ambiental. Hoje, o Shopping comercializa cerca de 60 toneladas de resíduos por mês, o que além de gerar receita, diminui os gastos com a destinação do material. Só com o aterro sanitário, o gerenciamento de resíduos representa uma economia de R$ 3 mil por mês, sem contar os outros R$ 3 mil que seriam empregados para transportar os resíduos até o local. A venda do material rende ao centro comercial R$ 15 mil por mês, parte dessa receita é usada para pagar a empresa que presta o serviço. “A renda gerada serve, por exemplo, para custear a destinação dos outros dejetos que não podem ser reciclados”, diz o administrador do edifício do Shopping, Henrique Saraiva. “Além disso, deixamos de destinar à natureza tanto lixo”, acrescenta.

Empresas de pequeno porte também estão se beneficiando com ações de gestão ambiental. A Microarte, que trabalha com impressão digital, iniciou há cerca de um ano um programa interno de conscientização dos funcionários para evitar o desperdício de lona, principal matéria-prima empregada pela firma. “A gente percebeu que o desperdício estava aumentando cada vez mais, daí sentamos para pensar em que medidas poderíamos adotar para evitá-lo”, conta o gerente de operações da Microarte, Marcelo Santos. A empresa realizou reuniões, palestras, cursos de capacitação e espalhou material educativo pela sede. Hoje, a economia gerada com a redução no uso da matéria-prima chega a R$ 500 por mês. (Jornal do Commercio)

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