Obras geram demanda de emprego, mas falta mão de obra qualificada

AUGUSTO LEITE

Uma rápida passagem pelas ruas e estradas do País é suficiente para uma constatação: o Brasil parece um canteiro de obras. Como em toda reforma, são necessários empregados. Mas ninguém quer contratar qualquer profissional. E é aí que os calos aparecem. Não há mão de obra qualificada. Dados do Site Nacional de Empregos (Sine) mostram que 1,661 milhão de postos de trabalho não foram preenchidos no ano passado. Em Pernambuco, a situação também está complicada, haja vista o número de serviços (Porto de Suape, duplicação de rodovias, Refinaria Abreu e Lima, Estaleiro Atlântico Sul e novos conjuntos residenciais, só para citar alguns).

Em 2009, quase 20% da população economicamente ativa da Região Metropolitana do Recife (RMR) estava desempregada, quando a média de outros lugares é de 14%. Com tantas obras em andamento, a construção civil saiu lucrando e o número de trabalhadores cresceu 25%, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego da Agência Condepe/Fidem. A demanda gerou empregos, é bem verdade. O problema é que agora as empresas começam a se queixar de falta de qualificação profissional e instituições correm contra o tempo para treinar pessoal.

SENAI Pernambuco espera qualificar 48 mil pessoas em 2010

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai-PE) pretende capacitar 48 mil pessoas este ano, sendo 5,3 mil em cursos técnicos e o restante em aperfeiçoamentos. O número representa cerca de 40% do registrado entre 2007 e 2009, quando foram habilitados mais de 100 mil profissionais. Só nas escolas do Recife e do Cabo de Santo Agostinho devem acontecer 12 mil capacitações voltadas ao terminal marítimo de Suape. Para o diretor Regional do Senai-PE, Antônio Carlos Maranhão de Aguiar, a correria está acontecendo porque não houve um estudo para levantar a demanda na construção civil.

“Temos pela frente a construção da Cidade da Copa e estamos em um ano que as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), além da ferrovia Transnordestina, serão aceleradas. Mas não é do nosso conhecimento um quadro de demandas por ocupação na construção civil que estejam relacionadas a tempo, como uma previsão para 2010”, avaliou. Ainda segundo ele, outro fator agravante é a falta de suporte financeiro, já que o trabalhador não suporta os custos de um treinamento.

“No caso de Suape, o Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural) banca. Foi feita uma equação financeira para dar suporte ao programa. Precisa fazer a mesma coisa com a construção civil, que tem como complicador o aquecimento do mercado imobiliário. O ‘Minha Casa, Minha Vida’ é só uma parte do processo”, analisou. (Folha de Pernambuco)

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