Segmento deverá crescer no Nordeste com a intenção do governo de instalar usinas no Sertão, com vagas em muitas áreas

Leonardo Spinelli

lspinelli@jc.com.br

Uma das características do desenvolvimento econômico é o aumento da demanda por profissionais especializados, numa consequência da necessidade de educação continuada de qualidade. Prova disso são os estudos que apontam áreas próximas ao São Francisco como ideais para instalação de duas novas usinas nucleares no Nordeste, destinadas a suprir o fornecimento de energia para uma região que já tem seus recursos hidrelétricos esgotados e cresce num ritmo econômico maior em relação ao Brasil.

A construção de uma usina nuclear exige mão-de-obra altamente especializada

A previsão é que elas estejam funcionado em dez anos e a construção e operação desses empreendimentos vão exigir novos profissionais com base científica na área. Engenheiros, físicos, químicos, biólogos e todo o tipo de técnicos serão demandados nos próximos anos.

“Na fase de construção uma usina nuclear gera cinco mil empregos, no pico das obras. Estamos programando duas, por isso o número é em dobro. Terá o operário, o engenheiro, mas não é apenas construção civil. Há montagem mecânica, elétrica, biológica, química. Todas as áreas da tecnologia são influentes numa edificação como esta”, adiantou Carlos Henrique Mariz, chefe do escritório Recife da Eletronuclear.

A estatal faz parte do sistema Eletrobrás e deverá definir os locais exatos de instalação desses novos empreendimentos ainda este ano. “O Sertão pode ser um dos locais, porque depois de Xingó, esgotaram-se os recursos hidrelétricos da região para ter capacidade de atender o crescimento do mercado. Estamos como região importadora de energia e o Nordeste é a bola da vez do Brasil, que é o do mundo.”

Mariz lembra que usinas também aumentam a necessidade de profissionais ligados ao meio ambiente. “Temos de monitorar toda a área ambiental, quais são os impactos. Esse trabalho já existe em Angra”, salientou, referindo-se a região do Rio de Janeiro onde estão instaladas as três usinas nucleares brasileiras. Durante a operação, apenas uma usina deve precisar de 1.000 profissionais de nível técnico e altamente qualificados.

“Os melhores profissionais da área atualmente recebem salários de engenheiros sênior, que chegam na faixa de R$ 25 mil. Os menos especializados estão na casa de até R$ 10 mil e os outros até R$ 2 mil”, comentou.

Cada usina representa um investimento de US$ 4 bilhões (ou aproximadamente R$ 7 bilhões) para a instalação. A estimativa é que apenas uma delas gere uma receita de R$ 1,3 bilhão, além de mudar toda a característica do local onde está instalada.

“Teremos de investir na formação e qualificação de pessoal. Há a parte administrativa também. Neste momento haverá projetos de integração e desenvolvimento econômico e hospitais, escolas e infraestrutura para os funcionários do empreendimento. Uma usina atrai população”, diz o representante local da Eletronuclear. É um empreendimento que realmente muda o cenário da região em que está instalada. (Jornal do Commercio)

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